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06/07/2015 :: Nacionales Galiza

[Gal/Cast] Decencia moral, eficacia técnica… y patria española

x Mauricio Castro
Tres productos ideológicos que el líder de Podemos quiere vendernos en esta gira galega de julio de 2015 son tan comerciales como inservíbles

Galego

Esses som três dos eixos ideológicos que nestes dias Pablo Iglesias passeia em massivos atos públicos na Galiza.

 Começo por mostrar o meu reconhecimento polo talento comunicativo do candidato, que de qualquer maneira seria inoperante se nom contasse com a importante cobertura mediática que o lançou como líder da “nova política” frente à “casta”.

Indo ao assunto, e depois de ter visto os vídeos das suas intervençons em Ferrol e Vigo, comento três leitmotivs presentes no discurso do líder de Podemos. Com eles, através de umha calculada repetiçom de mensagens tam facilmente digeríveis como carentes de conteúdo, Pablo Iglesias comparece como alternativa no atual mercado eleitoral de cara às legislativas do próximo outono-inverno.

O primeiro dos motivos repetidos é o da “decência” para limpar o mundo da política. Com bom critério mercadotécnico, fai propostas “em positivo” frente a umha realidade de corrupçom generalizada numha democracia burguesa de terceira categoria, como é a espanhola. Hoje todo o mundo deteta as importantes carências do regime bourbónico nesse campo.

O segundo tópico temático responde à sua condiçom de académico com alta formaçom e representante de um segmento social amplo no Estado espanhol: esse milhom de jovens licenciados pertencentes às classes intermédias ou filhos da classe trabalhadora que, com a crise, caírom no desemprego sem mais perspetiva que a precaridade extrema ou a emigraçom. Pablo Iglesias atribui a situaçom de todo esse setor de desempregados e desempregadas altamente qualificadas à “ineficácia” dos atuais governantes, contrapondo-lhes a “eficácia” garantida de um governo de Podemos.

A terceira soluçom para os problemas “de Espanha” (sempre Espanha!) baseia-se num novo regeneracionismo patriótico, de base social-democrata, que tenta resgatar o chauvinismo espanhol das catacumbas franquistas e convertê-lo em moderna argamassa para umha nova e transversal maioria eleitoral. Estamos ante umha carga de profundidade que tenta neutralizar a consciência nacional dos povos galego, basco e catalám, através de concessons cosméticas como a de oferecer umha imagem amável e atraente do “país de naçons” chamado Espanha.

Esses três produtos ideológicos que o líder de Podemos quer vender-nos nesta tourné galega de julho de 2015 som tam comerciais como inservíveis para a verdadeira transformaçom social que a Galiza precisa.

Primeiro, porque a corrupçom generalizada é umha expressom intrínseca da política no atual sistema e nom um problema redutível à sua dimensom moral. A raiz da corrupçom encontra-se na lógica do mercado capitalista como cerne da reproduçom social, sendo impossível evitá-la sem dar a batalha por situar a utilidade social, frente ao lucro, no centro de um sistema diferente.
Nengum mecanismo de controlo institucional poderia, ainda que quigesse, evitar a corrupçom num sistema que é corrupto na sua essência, por ter como objetivo central o aumento constante e unilateral do capital em maos da classe dirigente e nom a garantia do bem-estar para o conjunto da populaçom. Esse sistema diferente chama-se socialismo: umha alternativa ausente, até onde sabemos, do programa político de Podemos.

Segundo, porque a crise atual, tal como todas as anteriores ao longo da história contemporánea, nom se deve de maneira principal a nengum problema de eficácia. Deve-se antes a umha lógica interna, cíclica e inevitável, tal como a economia política tem largamente demonstrado desde Marx. Na crise atual, poderemos estar a assistir à confirmaçom do seu caráter estrutural e já insuperável dentro do próprio sistema, se dermos credibilidade às análises de cientistas sociais tam solventes como o filósofo húngaro István Mészáros. Segundo a sua tese, substancialmente coincidente com a de economistas marxistas como Jorge Beinstein, o sistema capitalista será já dificilmente reformável de maneira positiva, nem que nos governasse umha equipa de brilhantes académicos encabeçados por Pablo Iglesias e assessorados por economistas keynesianos como Vicenç Navarro ou Yanis Varoufakis.

Terceiro, porque em naçons dependentes como a Galiza, nengumha soluçom virá das concessons de um grupo de ilustrados da metrópole, dispostos a realizá-las em troca da nossa renúncia à soberania. Num exercício de intolerável banalizaçom dos direitos nacionais, tanto Iglesias como outros líderes de Podemos repetem, por exemplo, que o “problema catalám” se deve a umha falta de sensibilidade do Partido Popular. A afirmaçom nacional dos povos sem Estado seria, no caso espanhol, umha forma de protesto quase infantil contra a incompreensom da direita espanhola e nom a irrenunciável afirmaçom de um princípio democrático. Nesse relato dos factos, a reivindicaçom soberanista deveria ficar reservada para a própria Espanha, frente à ditadura financeira da Alemanha, da Troika e do FMI.

Mais um apontamento em relaçom a esta questom: a estrutura interna de Podemos, a sua intervençom e conceçom política nom convida a sermos otimistas quanto ao seu modelo territorial. Inclusive dirigentes do partido na “periferia”, como a líder andaluza Teresa Rodríguez, denunciam a perspetiva estritamente madrilena de umha direçom que cada vez se perfila mais como umha elite nacionalista espanhola.

Poderíamos analisar outras fórmulas e esquemas ideológicos da “nova política” de Podemos: o verticalismo, a hiperliderança, a política reduzida ao espetáculo mediático, o explícito desprezo polos valores e símbolos históricos da esquerda... Porém, achamos que, com perspetiva galega e de esquerda, essas três ideias-força som suficientemente definitórias dos limites da alternativa política representada por Pablo Iglesias e Podemos.


Castellano

Esos son tres de los ejes ideológicos que estos días Pablo Iglesias pasea en masivos actos públicos en Galiza.

Comienzo por mostrar mi reconocimiento por el talento comunicativo del candidato, que en todo caso sería inoperante se no contara con la importante cobertura mediática que lo lanzó como líder de la “nueva política” frente a la “casta”.

Yendo al asunto, y tras haber visto los vídeos de sus intervenciones en Ferrol y Vigo, comento tres leitmotivs presentes en el discurso del líder de Podemos. Con ellos, a través de una calculada repetición de mensajes tan fácilmente digeribles como carentes de contenido, Pablo Iglesias se presenta como alternativa en el actual mercado electoral de cara a las legislativas del próximo otoño-invierno.

El primero de los motivos repetidos es lo de la “decencia” para limpiar el mundo de la política. Con buen criterio mercadotécnico, hace propuestas “en positivo” frente a la realidad de corrupción generalizada en una democracia burguesa de tercera categoría, como es la española. Hoy todo el mundo detecta las importantes carencias del régimen borbónico en ese campo.

El segundo tópico temático responde a su condición de académico con alta formación y representante de un segmento social amplio en el Estado español: ese millón de jóvenes licenciados pertenecientes a las clases intermedias o hijos de la clase trabajadora que, con la crisis, cayeron en el desempleo sin más perspectiva que la precaridad extrema o la emigración. Pablo Iglesias atribuye la situación de todo ese sector de desempleados y desempleadas altamente cualificadas a la “ineficacia” de los actuales gobernantes, contraponiéndoles la “eficacia” garantizada de un gobierno de Podemos.

La tercera solución para los problemas “de España” (siempre España!) se basa en un nuevo regeneracionismo patriótico, de base socialdemócrata, que intenta rescatar el chauvinismo español de las catacumbas franquistas y convertirlo en moderna argamasa para una nueva y transversal mayoría electoral. Estamos ante una carga de profundidad que intenta neutralizar la conciencia nacional de los pueblos galego, vasco y catalán, a través de concesiones cosméticas como la de ofrecer una imagen amable y atractiva del “país de naciones” llamado España.

Esos tres productos ideológicos que el líder de Podemos quiere vendernos en esta gira galega de julio de 2015 son tan comerciales como inservíbles para la verdadera transformación social que Galiza precisa.

Primero, porque la corrupción generalizada es una expresión intrínseca de la política en el actual sistema y no un problema reductible a su dimensión moral. La raíz de la corrupción se encuentra en la lógica del mercado capitalista como núcleo de la reprodución social, siendo imposible evitarla sin dar la batalla por situar la utilidad social, frente al benefício, en el centro de un sistema diferente. Ningún mecanismo de control institucional podría, incluso si lo pretendiera, evitar la corrupción en un sistema que es corrupto en su esencia, por tener como objetivo central el aumento constante y unilateral del capital en manos de la clase dirigente y no la garantía del bienestar para el conjunto de la población. Ese sistema diferente se llama socialismo: una alternativa ausente, hasta donde sabemos, del programa político de Podemos.

Segundo, porque la crisis actual, así como todas las anteriores a lo largo de la historia contemporánea, no se debe de manera principal a ningún problema de eficacia. Se debe más bien a una lógica interna, cíclica e inevitable, tal como la economía política há demostrado ampliamente desde Marx. En la crisis actual, podremos estar asistiendo a la confirmación de su carácter estructural y ya insuperável dentro del propio sistema, si damos credibilidad a los análisis de científicos sociales tam solventes como el filósofo húngaro István Mészáros. Según su tesis, substancialmente coincidente con las de economistas marxistas como Jorge Beinstein, el sistema capitalista será ya difícilmente reformable de manera positiva, aún el el caso de que nos gobernara una equipo de brillantes académicos encabezados por Pablo Iglesias y asesorados por economistas keynesianos como Vicenç Navarro o Yanis Varoufakis.

Tercero, porque en naciones dependientes como Galiza, ninguna solución vendrá de las concesiones de un grupo de ilustrados de la metrópoli, dispuestos a realizarlas en pago de nuestra renuncia a la soberanía. En un ejercicio de intolerable banalización de los derechos nacionales, tanto Iglesias como otros líderes de Podemos repiten, por ejemplo, que el “problema catalán” se debe a una falta de sensibilidad del Partido Popular. La afirmación nacional de los pueblos sin Estado sería, en el caso español, una forma de protesta casi infantil contra la incomprensión de la derecha española y no la irrenunciable afirmación de un principio democrático. En ese relato de los hechos, la reivindicación soberanista debería reservarse para la propia España, frente a la dictadura financiera de Alemania, de la Troika y del FMI.

Otro apunte en relación con esta cuestión: la estructura interna de Podemos, su intervención y concepción política no invitan a ser optimistas en cuanto a su modelo territorial.
Incluso dirigentes del partido en la “periferia”, como la líder andaluza Teresa Rodríguez, denuncian la perspectiva estrictamente madrileña de una direción que cada vez se perfila más como una élite nacionalista española.

Podríamos analizar otras fórmulas y esquemas ideológicos de la “nueva política” de Podemos: el verticalismo, el hiperliderazgo, la política reducida al espectáculo mediático, el explícito desprecio por los valores y símbolos históricos de la izquierda… Sin embargo, creemos que, con perspectiva galega y de izquierda, esas tres ideas-fuerza son suficientemente definitorias de los límites de la alternativa política representada por Pablo Iglesias y Podemos.

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