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06/07/2020 :: Nacionales Galiza

[Gal/Cast] Neuronas, espelho e política / Neuronas, espejo y política

x Maria Osorio
El próximo día 24 se celebrará la Cadeia Humana, solidaria con los pres@s politic@s galeg@s. Maria escribe para La Haine este entrañable texto

Galego

Ana tem umha filha em idade escolar, quatro anos. É muito pacífica e apenas tem problemas nas aulas, por isso lhe extranhou um dia que vinha chorando. Perguntou-lhe o motivo do desgosto e a criança contestou-lhe que chorava porque todas as outras crianças também choravam. Sem mais. O descobrimento no ano 96 das neuronas espelho, primeiro em primates e logo confirmadas nas pessoas, tem-se por um dos descobrimentos mais relevantes das neurociências. O descobrimento atribuido a Giacomodo Rizzolatti pode explicar-nos algumhas cousas sobre comportamentos inexplicáveis das pessoas. Comportamentos imitativos e também comportamentos sociais. Desde o surpresivo gesto de bocejar ao mesmo tempo que o fai outra pessoa ou o solidário e tenro comportamento da filha de Ana.

 Talvez um dos episódios mais complexos e interessantes a nível grupal ( se se nos permite o uso da neurociência aquí) de utilizaçom das neuronas espelho no nosso País tenha sido a guerrilha da chaira. Para quem nom saiba da guerrilha da chaira e do seu papel na Galiza, diremos mui resumidamente que foi aquela expresom de apoio logístico à guerrilha ántifranquista que operava de maneira clandestina e amiúde no monte. Nom queremos reduzir a complexidade daquilo que sucedeu afirmando que as neuronas espelho jogárom o papel fundamental. O que queremos explicar é que, em umha situaçom de vida ou morte, de terror e onde o lógico teria sido o contrário, existírom valentes mulheres e homens que decidírom colocar-se do lado perseguido, do lado fugido, do lado perdedor… A guerrilha da chaira é umha das mostras mais bravas e estarrecedoras de solidariedade que o nosso povo tem dado: desmentindo o tópico e confirmando o longo apoio que na Galiza tivo o movimento guerrilheiro. Os ecos daquele confronto ainda hoje resoam nos ouvidos e nas consciências erradas dos vencedores, dos vitimários.: Galiza nunca foi azul e tampouco nunca vai ser verde.

 A solidariedade é isso: a falta de cálculo, a adesom sincera apesar de saber-se em minoria, é a venda nas feridas das torturadas e é o alento político que chega desde fora dos muros para a pessoa que tem que passar anos detrás deles. Falai-me da luita de fora, dizia nos seus fermosos poemas Nazim Hikmet. E é que para umha presa política nom pode haver solidariedade mais grande que as notícias extra-muros. Cada cartinha, cada visita, cada chamada ou cada jornal recebido que fala dos anceios e das raízes políticas das presas som o alento e a necessária uniom que dá sentido e continuidade à luita. Transitar as portas das comisarias e dos muros de formigom acompanhadas é fundamental nom só para a sobrevivência e saúde dos projectos políticos, também das pessoas que os componhem. Quem está presa necessita como o ar que respira dessa solidariedade. Quem ficou fora precisa também exercê-la. Nom só é polas neuronas espelho. É por saúde democrática, por dignidade e por necessidade política.

 O estado espanhol por muito que se vista de morado e de vermelho tem problemas sérios de democracia e, falando já em mínimos, de cumprimento de direitos humanos e de legalidade comunmente aceitada a nível internacional nesta matéria. A listagem é enorme e profusamente denunciada incansavelmente por dúzias de organizaçons antirepressivas. Mas nom nos enganemos. Isto nom lhe preocupa a quase mais ninguém do que as próprias pessoas implicadas em processos repressivos, perseguidas ou encarceradas durante a sua alegada democracia. Do contrário, hai décadas que os poderes fácticos e o Estado espanhol teriam cortado com a tradiçom fascista e genocida latente e ameaçante sempre a cada passo decidido que diferentes sectores ou organizaçons políticas dam: pode ser um twitteiro que conta as verdades dos Borbons, pode ser o independentismo catalám, pode ser um preso basco em greve de fame e sede nas masmorras do poder, pode ser umha independentista galega encausada na Jaro, pode ser o feminismo organizado… Mas também nom fai falta estar organizada politicamente. Chega com tentar sobreviver: migrantes feridos em concertinas dam a imagem mais impactante do que falamos.

 Especialmente preocupante é a perseguiçom insistente à liberdade de expressom. “ Porque vivimos a golpes, porque a penas si nos dejan decir que somos quien somos”, resume-nos Gabriel Celaya. Enquanto twitteiras som detidas ou o rapeiro Pablo Hassel é punido com anos de prisom por fazer uso da palavra, o fascismo mais repelente e iletrado reclama para si liberdade de expresom, liberdade para a barbaridade e liberdade para avançar face umha sociedade mais insolidária e inhabitável para nós. Nas ruas da Galiza ficou bem claro de que lado está e estará o nosso povo. Podemos estar orgulhosas, mais umha vez.

 Vivemos momentos muito relevantes para todas nós. Para as organizaçons políticas, para o feminismo organizado, para a identidade nacional, para a mocidade… É umha situaçom que nos atinge a todas e onde todas vamos dar o melhor de nós. Que nunca nos abandone no caminho a solidariedade e que as nossas neuronas espelho funcionem sempre a tope para com quem oferece compromisso, generosidade e valentia. Sorte a todas no caminho!

Castellano

Ana tiene una hija en edad escolar, cuatro años. Es muy pacífica y a penas tiene problemas en clase, por eso le extrañó tanto el día que vino llorando de clase. Le pregunté el motivo del disgusto y la niña le contestó que lloraba porque todas las otras niñas lloraban. Sin más. El descubrimiento en el año 96 de las neuronas espejo, primero en primates y luego confirmadas en humanos, se tiene por uno de los descubrimientos más relevantes para la neurociencia. El descubrimiento atribuido a Giacomodo Rizzolatti puede explicarnos algunas cosas sobre comportamientos aparentemente inexplicables o poco adaptativos ( en lenguaje psicológico) que mantenemos las personas. Comportamientos imitativos y también sociales. Desde el sorpresivo gesto de bostezar al mismo tiempo que otra persona hasta el solidario y tierno comportamiento de la hija de Ana.

Quizá uno de los episodios más complejos e interesantes a nivel grupal ( permítasenos el uso aquí de la neurociencia y de la metáfora) de utilización de las neuronas espejo en nuestro País haya sido da “guerrilla da chaira”. Para quien no sepa de esta expresión de lucha y de su papel en Galiza, diremos muy resumidamente que fue aquella expresión de apoyo logístico a la guerrilla anti-franquista que operaba de manera clandestina y, a menudo, en y desde el monte. No queremos reducir la complejidad de aquello afirmando toscamente que las neuronas espejo jugaron entonces un papel crucial. Lo que queremos explicar es que, en una situación de vida o muerte, de terror e donde lo lógico hubiera sido lo contrario, existieron por centenas hombres y mujeres ( muchas mujeres) que decidieron colocarse del lado perseguido, del lado huido, del lado perdedor… La “ guerrilla da chaira” es una de las muestras más bravas e impactantes de solidaridad que nuestro pueblo ha dado. Los ecos de aquel enfrentamiento todavía hoy resuenan en los oídos sordos y en las conciencias equivocadas de los vencedores, de los victimarios: Galiza nunca ha sido azul y nunca va a ser verde.

 La solidaridad es eso: la falta de cálculo, la adhesión sincera a pesar de saberse en minoría, la venda en las heridas de las torturadas y es el aliento político que llega desde fuera de los muros para la persona que tiene que pasar años detrás de ellos. Háblame de la lucha de fuera, decía en sus hermosos poemas Nazim Hikmet. Y es que para una presa política no puede haber solidaridad más grande que las noticias extra-muros. Cada carta, cada visita, cada llamada o cada periódico recibido que habla de los sueños e de las raíces políticas de las presas son el aliento e la necesaria unión que da sentido y continuidad a la lucha. Transitar las puertas de las comisarias y los muros de hormigón acompañadas es fundamental no sólo para las presas políticas, también de las personas que componen los diferentes proyectos y organizaciones. Quien está presa necesita como el aire que respira de esa solidaridad, quien ha quedado fuera necesita también ejercerla: no sólo por las neuronas espejo. Es por salud democrática, por dignidad y por necesidad política.

El Estado Español por mucho que se vista de morado o de rojo tiene problemas serios de democracia y, hablando ya en mínimos, de cumplimiento de derechos humanos y de legalidad comunmente aceptada a nivel internacional en esta materia. La lista es enorme y profusamente denunciada incasablemente por docenas de organizaciones anti-represivas. Pero no nos engañemos. Esto no le preocupa a casi nadie mas que a las propias personas implicadas en procesos represivos, perseguidas o encarceladas durante su alegada democracia. De lo contrario hace décadas que los poderes fácticos y el Estado Español habrían cortado con la tradición fascista y genocida latente y amenazante siempre a cada paso decidido que diferentes sectores o organizaciones políticas dan: puede ser un twittero que cuenta las verdades de los Borbones, puede ser el independentismo catalán, puede ser un preso vasco en huelga de hambre y sed en las mazmorras del poder, puede ser una independentista gallega encausada en la Jaro, puede ser el feminismo organizado… Pero tampoco hace falta estar organizadas políticamente. Basta con intentar sobrevivir: migrantes heridos en concertinas dan la imagen mas impactante de lo que hablamos.

Especialmente preocupante es la persecución insistente a la libertad de expresión. “ Porque vivimos a golpes, porque a penas si nos dejan decir que somos quien somos”, nos resume Gabriel Celaya. En cuanto twitteras son detenidas o el rapero Pablo Hasel es punido con años de prisión por hacer uso de la palabra, el fascismo mas repelente e iletrado reclama para sí libertad de expresión, libertad para la barbaridad y libertad para avanzar hacia una sociedad mas insolidaria e inhabitable para nosotras. En las calles de Galiza quedó bien claro de que lado está y estará nuestro pueblo. Podemos estar orgullosas, una vez mas.

Vivimos momentos muy relevantes para todas nosotras. Para las organizaciones políticas, para el feminismo organizado, para la identidad nacional, para la juventud… Es una situación que nos afecta a todas y donde todas vamos a dar lo mejor de nosotras. Que nunca nos abandone en el camino la solidaridad y que nuestras neuronas espejo funciones siempre a tope con quienes ofrecen compromiso, generosidad y valentía. Suerte a todas en el camino!

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