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02/06/2020 :: Nacionales Galiza

“O que está a fazer Patxi é mandar um aviso sobre a situaçom que se está a viver nas cadeias"

x Galiza Livre
[Gal/Cast] Entrevista de Galiza Livre a Iñigo Muerza, amigo de Patxi Ruiz. “Lo que ha hecho Patxi es mandar un aviso sobre la situación que se vive en las cárceles”

Galego

O preso político vasco Patxi Ruiz leva 18 anos na cadeia, dispersado a centos de quilómetros da sua aterra, em prisons como Soto del Real, Almeria, Puerto de Santa Maria, Huelva o Valdemoro, e boa parte destes anos estivo em galerías de isolamento. Na atualidade encontra-se na cadeia de Múrcia, onde o passado 11 de maio deu inicio a umha greve de fame e sede. Para achegar-nos à sua situaçom e reivindicaçons conversamos com Iñigo Muerza, que forma parte do seu grupo de familiares e amizades.

Como se encontra Patxi depois de tantos dias de greve?

Temos que dizer que a dia de hoje, 27 de maio, Patxi leva já 16 dias de greve de fame, dos quais os 12 primeiros passou-nos fazendo greve de sede também. Entom, ainda que a situaçom se estabiliza-se um chisco ao verse na obriga de beber auga, queremos remarcar que a sua situaçom segue a ser grave. Logo, a nível anímico, a pesar de que a voz se lhe nota cansa, como é lógico, queremos dizer que se encontra bem, e saca mesmo forças para mandar-nos ânimos a nós.

Que desencadeou a decisom de auto-lesionar-se e dar começo à greve de fame e sede?

Os feitos concretos começam com umhas concentraçons que Patxi junto a outros presos do módulo 8 da cadeia de Murcia II começam a fazer a raiz da crise da pandemia do Covid-19, reclamando uns direitos que eles consideram fundamentais e muito básicos. Entre outras cousas, a liberaçom dos presos enfermos, presos aos que lhe queda pouca condena, também pediam medidas de seguridade para eles como luvas e máscaras, que se garantisse os seu direito a ter comunicaçons, etc.

Creio que ao quarto dia de concentraçons, das quais Patxi todo o tempo sublinhava que eram pacíficas, silenciosas… umha carcereira ao subir às celas pediu-lhe o cartaz, ao que ele se negou dizendo-lhe que era o seu direito concentrar-se no pátio e di-lhe que se quer colher o cartaz que o tem na saca mas que el nom lho vai dar. Ela colheu-lho e Patxi pediu-lhe o número de identificaçom, ao que ela se negou. Entom aí começa todo. Patxi sobe à cela e ao cabo dum anaco sobe a carcereira acompanhada do chefe de módulo, e dim-lhe que lhe vam dar a identificaçom mas começam a ameaçá-lo. O chefe de módulo di-lhe entre outras cousas que já se vai inteirar do que vai passar, que o vai passar muito mal, e bem aí é quando começa umha escalada de tensom. Patxi ante essas ameaças fai-se uns cortes no brazo a modo de protesta, isto quijo deixar-no-lo muito claro desde o começo. A raiz desses cortes levam-no a enfermaria e ali tem outro choque co médico da cadeia, que nom atende a Patxi como ele considera. Nesse momento o médico di-lhe que nom o quer atender e di-lhes aos carcereiros “llevaros a este mierda de aquí”.

A Patxi leva-no de novo à cela e depois, mais tarde, volvem saca-lo já co director e o subdiretor de seguridade da cadeia, com os que tem umha conversa mui tensa em tom ameaçante. Nesse ponto de tensom e ansiedade decide pôr-se em greve de fame e sede.

Estes diríamos que som os feitos que o empurrárom a tomar essa decisom, mas em todo caso queremos remarcar que isto nom é um feito isolado nem casual, senom que tem um percurso. Patxi leva já 18 anos anos na cadeia, com todo o que isto supom. Todas conhecemos bem que as cadeias espanholas som centros de extermínio desenhadas para aniquilar as pessoas a todos os níveis, e em caso de militantes políticos como é o caso de Patxi essa estratégia está muito mas refinada, aplicando medidas de excepçom dentro do que é já a excepcionalidade da cadeia. E como dixem, a Patxi detivérom-no em 2002 e, depois de sofrer brutais torturas durante cinco dias a maos da Guardia Civil, passou durante estes 18 anos por diferentes prisons. Também como amigas e familiares de Patxi queremos dizer que ao longo destes anos ele entendeu a cadeia como um espaço de luita e que neste sentido ele nunca deixou de denunciar e protestar contra os abusos e injustiças que se vinhérom dando tanto contra a sua pessoa como contra os seus companheiros, tanto políticos como Sociais, e isso na cadeia tem um custo engadido à própria dureza que já tem a prisom. Todo isso a ele levam-lho fazendo pagar durante todos estes anos. Estes últimos feitos som a pinga que colma um copo que estava bastante cheio.

A atitude da prisom cara a ele, mudou em algo ao longo destes dias?

Pois da cadeia nom pudemos aguardar nada bom, primeiro porque como familiares e amigos já conhecemos um bocadinho o que é a prisom de Murcia II, e segundo pois porque hai que lembrar que o mesmo director da cadeia estivo implicado nos feitos que levarom a Patxi a por-se em greve de fame e sede. No canto de para as ameazas que verteu contra el o jefe de módulo, o que fixo foi sumarse a essa dinámica ameazante, assím que nom podíamos aguardar rem. Mas mesmo assím vimo-nos um pouco surprendidos pola atitude que tivo a prisom. Primeiro hai que dizer que nom lhe fam nim caso a Patxi até o terceiro ou quarto día, coa excusa de que eles nom sabíam que estava em greve de fame e sede, o qual evidentemente é mentira porque, primeiro, Patxi já o comunicou desde o primeiro dia mediante instância ao julgado, e segundo, porque desde o primeiro dia também começárom a chegar faxes e chamadas à cadeia denunciando esta situaçom. Polo tanto, era mentira e, tendo em conta que umha greve de sede somada à de fame pode ser questom de cinco ou seis dias, a cadeia nom se comunicou com ele a este respeito até o terceiro ou quarto dia. Isso para começar, o qual já nos parece muito grave.

Nós temos muito claro que a vida de Patxi à cadeia nom lhe importa rem e estám-no-lo a corroborar os feitos. Por outra banda, em quanto à atitude da cadeia também temos que dizer que os advogados, que fôrom a comunicaçom direto e os que podem ter contato mais fluido com Patxi já que em teoria podem comunicar com ele sempre que queiram, recebérom todo tipo de trabas, nom lhes colhiam o telefone, umha atitude que nom facilitou para nada o seu labor. O mesmo com o médico de confiança, quem também tivo dificuldades para aceder aos informes médicos para poder fazer um seguimento do seu estado de saúde e da sua evoluiçom. Por outra banda, também há que dizer que o médico co que tivo o “choque” com Patxi o día de autos, quando lhe voltou tocar ir à enfermaria da prisom a atendê-lo, negou-se a fazê-lo, estando Patxi com um estado de saúde muito delicado, já que isto ocorreu quando levava arredor dumha semana sem comer e sem beber.

Logo também nom houvo nengumha facilidade por parte do julgado da Audiência Nacional . Há que dizer que Patxi quando levava mais dumha semana de greve de fame e sede mostrou-se disposto a nom pôr trabas a que o levassem ao hospital, sempre que fosse mediante auto do juiz de Vigilância Penitenciária da Audiência Nacional, e esse auto ainda nom chegou. O julgado, sabendo isso, ainda nom o tramitou. A Patxi sacárom-no ao hospital com um auto do julgado de Mula, e isto é um dado que aos advogados surprendeu-nos bastante. É umha cousa inédita, totalmente estranha. Foi o julgado de Mula quem ditou o auto para hopitalizar a Patxi e ele, pensando que era da Audiência Nacional, nom pujo trabas para que o hospitalizassem. Foi no hospital quando se deu conta de que o enganaram e que o auto nom era da Audiência Nacional, diante o qual pediu a alta voluntaria e foi levado de novo à cadeia.

Som feitos que demostram um pouco qual está a ser a atitude, tanto da cadeia como do julgado, e bom, pois para dizer em positivo praticamente nom há rem, salvo que Patxi nos dixo algumha vez que alguns dias a atençom foi boa. Segundo o médico que esteja, a atençom e o trato estám a ser corretos, mas é o mínimo que se pode aguardar quando um está em greve de fame e sede, e a cadeia já sabe que de certo dia em diante essa pessoa pode morrer em qualquer momento. Com todo, eu também queria dizer que se nom é pola pressom que exercemos a familia e advogados, e sobre todo, a pressom de toda a gente que estivo a chamar à cadeia todos os días e mandando faxes ao julgado e à cadeia, tememo-nos que a atitude igual poderia ter sido mesmo pior.

Que condiçons teriam que mudar para que Patxi deixará a greve?

Para responder a isto passamos-vos as reivindicaçons que ele mesmo nos fijo chegar ponto por ponto. Primeiro queremos dizer que Patxi exige que a cadeia assuma a responsabilidade que tem nesta situaçom e que garanta a sua seguridade e integridade. A este respeito e já indo às reivindicaçons, a primeira é denunciar e exigir que se suspenda a atitude que mantém o diretor, o médico e os carcereiros, é dizer, o fim das ameaças, as malheiras e os insultos. Segundo, deixa claro que a sua luita é política, e pom como condiçom para sair vivo ser trasladado a Euskal Herria e junto a ele o resto dos presos políticos bascos e bascas. Terceiro, que todos os presos políticos que nom sejam de Euskal Herria sejam achegados o máximo possível aos seus lugares de residência. Para rematar, Patxi quer expressar todo o seu carinho aos luitadores e luitadoras que permanecem firmes, também a esses do EPPK (Coletivo de Presas e Presos Políticos Bascos) que estám a manter com firmeza os princípios e ideais que os levárom à luita. E junto a estas exigências, Patxi quer fazer chegar umha forte aperta e o seu agradecimento a todas as pessoas que agitarom Euskal Herria e o apoiárom. Queremos lembrar que Patxi nom se encontra dentro do Coletivo de Presos Políticos Bascos e que já no seu día mostrou o seu desacordo com o que é a linha oficial da esquerda abertzale.

Este feito fijo-os saber com os seus motivos a través de uns escritos que fijo públicos. Em todo caso, isto nom foi impedimento para manter umha boa relaçom com os companheiros de prisom do EPPK. E a respeito das reivindicaçons, isto já mais a modo pessoal, creio que ele o que está a fazer é mandar um aviso da gravidade da situaçom que se vive nas cadeias, e em concreto, sobre a urgência e necesidade de que os presos políticos bascos sejam levados a Euskal Herria.

Lembrou-se também, por suposto, dos militantes políticos de outras naçons que se encontram dispersados. Eu creio que isto é um aviso, umha chamada de atençom, que está a fazer dumha maneira muito crua, mas o positivo, na minha opiniom, é que a gente assim o está a entender, e de algumha maneira, com toda esta mobilizaçom e esta ola de solidariedade que houvo, a mensagem que lhe quere devolver a Patxi é que colhe o seus testemunho e que se fai cárrego da sua luita. Eu, como amigo, creio que isso pode ser chave para dar umha soluçom satisfatória, primeiro para Patxi, e depois para os presos e para nós.

Umha das reivindicaçons de Patxi é que o trasladem a Euskal Herria junto às demais presas e presos políticos bascos. Todos os anos se fam grandes mobilizaçons na rua arredor desta reivindicaçom. Credes que se estam a dar os pasos nesse sentido? Há umha aposta política real para rematar coa dispersom?

Eu só podería dar umha resposta a nível pessoal,, e neste caso estou a falar em nome da família e amigos de Patxi. Creio que é umha resposta que deveria dar Patxi em todo caso, que é o que deu começo a esta luita. E nesse apecto, só me resta dizer que para quem nom o saiba, ele enquadra a sua atividade política e militante no Movimento pola Amnistia e contra a Repressom, que se enmarca fora da linha oficial da esquerda abertzale. Nesse aspeto, como che digo, é umha pergunta que em qualquer caso corresponderia responder a Patxi, já que cada um dos seus amigos e familiares seguramente tenhamos a nossa opiniom do assunto, e ademais, é algo que teria muitos matizes.

Como estades vivendo vós, como amigas e familiares de Patxi toda esta situaçom?

Com bastante angustia e muita tensom, sobre todo ao comezo, quando estivo em greve de fame e sede, sabendo que a greve de sede engadida à de fame é umha questom de poucos días. A pressom era muito grave nesse aspeto. Para nós foi um tralhaço o dia que soubemos que se pugera em greve e de todo o que passara, e de aí em diante começou umha carreira a contra-relógio, que era, como che dixem, questom de dias.

O primeiro era saber em todo momento como se encontrava Patxi, qual era o seu estado de saúde, a atençom que estava a receber… Aí encontramos muitas dificuldades. Para começar, a cadeia nom aplicou desde o primeiro dia o protocolo que se deve aplicar nestes casos, com a escusa de que eles até o terceiro dia nom sabiam rem, polo que nom estava a ser atendido como é devido. Depois também tivemos dificuldades para que o médico de confiança pudesse aceder aos informes de Patxi. Nom lhe deixárom comunicarse com ele diretamente, e nesse sentido houvo muitas trabas.

O estrês que nos gerou todo isto foi muito grande, engadido a que estamos intentando encontrar umha soluçom satisfatória para a luita de Patxi. Foi, resumindo um chisco, umha mestura de sentimentos. Um pau muito grande ao começo, depois angústia em certa maneira, e muita raiva também pola atitude que está a ter a cadeia.

A luita que está a levar adiante Patxi está a remover as ruas enchendo-as de solidariedade em Euskal Herria, Galiza, Madrid… passando por Venezuela, Argentina e Irlanda. Como estades a sentir vós essa solidariedade? E Patxi?

Queremos remarcar que toda a solidariedade que estamos a receber está a ser impressionante, tanto em Euskal Herria como fora dela. Por suposto nom nos esquecemos de todo o ânimo que está chegando desde Galiza. Se há algo que realmente nos está a dar forças para gerir toda esta movida é a solidariedade que nos está a chegar. Com respeito a Patxi, ele já pergunta como está a rua, se a gente está a mover-se… Nesse aspeto pede informaçom sobre todo o que está a passar, e dalgumha maneira por telefone estamos a fazer-lho chegar.

Eu creio que todo isso, na duríssima situaçom que está a sofrer, está a dar-lhe muitas forças. Assim que nom nos resta mais que agradecer-lho a toda a gente que desde o começo e de forma incondicional vos debrocastes com ele, e em concreto queremos enviar um saudo muito grande a toda essa gente da Galiza que se está a somar à luita de Patxi, que é a luita de todas as presas e presos políticos. E para acabar queremos enviar também um saúdo muito grande para Patxi, que saiba (e sabe-o) que estamos com ele. O mesmo a todos os presos e presas políticas bascas e do mundo. E por suposto um saúdo muito grande a quem, na Galiza, estades a luitar pola liberdade do vosso povo. Ânimo, Eskerrik asko e vemo-nos no caminho!

Castellano

El preso político vasco Patxi Ruiz lleva 18 años en la cárcel, dispersado a cientos de kilómetros de su tierra, en cárceles como Soto del Real, Almería, Puerto de Santa Maria, Huelva o Valdemoro ,  y buena parte de estos años  estuvo en galerías de aislamiento. En la actualidad se encuentra en la prisión de Murcia, donde el pasado 11 de mayo dio inicio a una huelga de hambre y sed. Para acercarnos a su situación y reivindicaciones conversamos con Iñigo Muerza, que forma parte de su grupo de familiares y amistades

.Como se encuentra Patxi tras tantos días de huelga?

Tenemos que decir que a día de hoy, 27 de mayo, Patxi lleva 16 días de huelga de hambre, de los cuales los primeros 12 los pasó haciendo huelga de sed también. Entonces, aunque su situación se haya estabilizado un poco al verse obligado a beber agua, queremos remarcar que su situación sigue siendo grave. Y luego pues a nivel anímico, a pesar de que la voz se le nota cansada, como es lógico, queremos decir que se encuentra bien y saca incluso fuerzas para mandarnos ánimos a nosotros.

Que desató la decisión de autolesionarse e iniciar la huelga de hambre y sed?

Los hechos concretos comienzan con unas concentraciones que Patxi junto a otros presos del módulo 8 de la cárcel de Murcia II empiezan a hacer  a raíz de la crisis de la pandemia del Covid-19, reclamando unos derechos que ellos consideran fundamentales y muy básicos. Entre otras cosas, la liberación de los presos enfermos, presos a los que les queda poca condena, también pedían medidas de seguridad para ellos como guantes y mascarillas, que se garantizase su derecho a tener comunicaciones, etc.

Creo que al cuarto día de concentraciones, de las cuales Patxi todo el tiempo remarcaba que eran pacíficas, silenciosas… una carcelera al subir a las celdas le pide a Patxi el cartél,   a lo que él se niega diciéndole que es su derecho concentrarse en el patio y  le dice que si quiere coger el cartel que lo tiene en la bolsa pero que él no se lo va a dar. Ella se lo coge y Patxi le pide el número de identificación a lo que la carcelera se niega. Entonces ahí comienza todo. Patxi sube a la celda y  al  rato sube la carcelera acompañada del jefe de módulo, y le dicen que le van a dar la identificación pero empiezan a amenazarle.  El jefe de módulo le  dice entre otras cosas que ya se va a enterar de lo  que va  a pasar, que lo va a pasar muy mal, y bueno, ahí es cuando empieza una escalada de tensión. Patxi ante esas amenazas se hace unos cortes en el brazo a modo de protesta, esto nos lo quiso dejar muy claro desde el principio. A raíz de esos cortes lo llevan a enfermería y allí tiene otro encontronazo con el médico de la cárcel, que no le atiende como Patxi considera. En ese momento el médico dice que no le quiere atender y les dice a los carceleros “llevaros a este mierda de aquí”. A Patxi se lo llevan a la celda y luego más tarde lo vuelven a sacar ya con el director y el subdirector de seguridad de la cárcel, con los que tiene una conversación muy tensa y en tono amenazante. En ese punto de tensión y ansiedad decide  ponerse en huelga de hambre y sed.

Estos diríamos que son los hechos  concretos que han empujado a Patxi a tomar esa decisión, pero en todo caso queremos remarcar que esto no es un hecho aislado ni casual, sino que tiene un recorrido. Patxi lleva ya 18 años en la cárcel, con todo  lo que ello supone. Todas conocemos bien que las cárceles españolas son centros de exterminio diseñadas para aniquilar a las personas a todos los niveles, y en el caso de militantes políticos como es el caso de Patxi pues esa estrategia está mucho mas refinada, aplicando medidas de excepción dentro de lo que es ya la excepcionalidad de  la cárcel . Y como he dicho, a Patxi le detuvieron en el 2002, y después de sufrir brutales torturas durante cinco días a manos de la Guardia Civil, ha pasado durante estos 18 años por diferentes cárceles. También como amigas y familiares de Patxi queremos decir que a lo largo de estos años él  ha entendido la cárcel como un espacio de lucha y que en este sentido él nunca ha dejado de denunciar y protestar contra los abusos e injusticias que se han venido dando tanto contra su persona como contra sus compañeros, tanto políticos como sociales, y eso en la cárcel tiene un coste añadido  a la propia dureza que ya tiene la cárcel. Todo eso a él se lo han estado haciendo pagar durante todos estos años. Estos últimos hechos son la gota que han colmado un vaso que estaba bastante lleno.

La actitud de la prisión hacia él, ha cambiado en algo a lo largo de estos días?

Pues de la cárcel no hemos podido esperar nada bueno, primero porque como familiares y amigos ya conocemos un poquito lo que es la cárcel de Murcia II, y segundo pues porque hay que recordar que el mismo director de la cárcel ha estado implicado en los hechos que han llevado a Patxi a ponerse en huelga de hambre y sed. En vez de parar esas amenazas que vertió contra él el jefe del módulo, lo que ha hecho es sumarse a esa dinámica amenazante, asi que no podíamos esperar nada bueno. Pero incluso así nos hemos visto un poco sorprendidos por la actitud que ha tenido la cárcel. Primero hay que decir que a Patxi no le hacen ni caso hasta el tercer o cuarto día, con la excusa de que ellos no sabían que estaba en huelga de hambre y sed, lo cual evidentemente es mentira porque, primero,  Patxi ya lo comunicó desde el primer día mediante instancia al juzgado y, segundo, porque desde el primer día también empezaron a llegar faxes y llamadas a la cárcel denunciando esta situación. Por lo tanto, era mentira y, teniendo en cuanta que una huelga de sed sumada a la de hambre puede ser una cuestión de cinco o seis días, la cárcel no se comunicó con él a este respecto hasta el tercer o cuarto día. Eso para empezar, lo cual ya nos parece muy grave. Nosotros tenemos  muy claro que la vida de Patxi a la cárcel no le importa nada y lo están corroborando los hechos.

Por otra parte, en cuanto a la actitud de la cárcel también tenemos que decir que los abogados, que han sido la comunicación directa y los que pueden tener contacto mas fluido con Patxi ya que en teoría pueden comunicar con el siempre que quieran, han recibido todo tipo de trabas, no les han cogido el teléfono, una actitud que no ha facilitado para nada la labor de su abogado y abogada. Lo mismo con el médico de confianza, quien también ha tenido dificultades para acceder a los informes médicos  para poder hacer un seguimiento de su estado de salud y su evolución.

Por otra parte, también hay que decir que el médico que tuvo el “encontronazo” con Patxi el día de autos, cuando le ha vuelto a tocar ir a la enfermería de la cárcel a atender a Patxi, se ha negado a hacerlo, estando Patxi con un estado de salud muy delicado, ya que esto ha ocurrido cuando llevaba alrededor de una semana sin comer y sin beber.

Luego también no ha habido ninguna facilidad por parte del juzgado de la Audiencia Nacional. Hay que decir que Patxi cuando ya llevaba mas de una semana de huelga de hambre y sed se mostró dispuesto a no poner trabas a que le llevasen al hospital, siempre que fuese mediante auto del juez de Vigilancia Penitenciaria de la Audiencia Nacional, y ese auto todavía no ha llegado. El juzgado, sabiendo eso, no ha llegado todavía a tramitarlo. A Patxi le sacaron al hospital con un auto del juzgado de Mula, y esto es un dato que a los abogados les sorprendió bastante. Es una cosa inédita, totalmente extraña. Fue el juzgado de Mula el que dictó el auto para hospitalizar a Patxi, y el, pensando que era de la Audiencia Nacional, no puso trabas para que le hospitalizasen. Fue en el hospital cuando se dio cuenta que le habían engañado y que el auto no era de la Audiencia Nacional, ante lo cual pidió el alta voluntaria y fue llevado a la cárcel otra vez.
Son hechos que demuestran un poco cual está siendo la actitud, tanto de la cárcel como del juzgado, y bueno, pues para decir en positivo prácticamente no hay nada, salvo que Patxi nos ha dicho alguna vez que algunos días la atención ha sido buena. Según el médico que esté, la atención y el trato están siendo correctos, pero es lo mínimo que se puede esperar cando uno está en huelga de hambre y sed, y la cárcel ya sabe que a partir de cierto  día esa persona puede morir en cualquier momento. Con todo, yo también querría decir que si nos es por la presión que hemos ejercido la familia y abogados, y sobre todo, por la presión de toda la gente que ha estado llamando a la cárcel todos los días y mandando faxes al juzgado y a la cárcel, nos tememos que la actitud igual podría haber sido incluso peor.

Qué condiciones tendrían que cambiar para que Patxi dejara la huelga?

Para responder a esto os paso las reivindicaciones que el mismo nos hizo llegar punto por punto.

Primero queremos decir que Patxi exige que la cárcel asuma la responsabilidad que tiene en esta situación y que garantice la seguridad de su integridad física.

A este respecto y ya yendo a las reivindicaciones, la primera es denunciar y exigir que se suspenda la actitud que mantienen el director, el médico y los carceleros, es decir, el fin de las amenazas, la palizas y los insultos.

Segundo punto, deja claro que su lucha es política, y pone como condición para salir vivo ser trasladado a Euskal Herria y junto a él el resto de los presos políticos vascos y vascas.

Tercero, que todos los presos políticos que no sean de Euskal Herria sean acercados lo máximo posible a sus lugares de residencia.
Para terminar, Patxi quiere expresar todo su cariño a los luchadores y luchadoras que permanecen firmes, también a esos del EPPK (Colectivo de Presas y presos políticos vascos) que están manteniendo con firmeza los principios e ideales que les llevaron a la lucha. Y junto a estas exigencias, Patxi quiere hacer llegar un fuerte abrazo y su agradecimiento a todas las personas que han agitado Euskal Herria y le han apoyado.Queremos recordar que Patxi no se encuentra dentro del colectivo de presos políticos vascos y que ya en su día mostró  su desacuerdo con lo que es la linea oficial de la izquierda abertzale. Hestos hechos los hizo saber con sus motivos a través de unos escritos que hizo públicos. En todo caso, esto no ha sido impedimento para mantener una buena relación con los compañeros de prisión del EPPK.

Y al respecto de las reivindicaciones, esto ya más a modo personal, creo que él lo que ha hecho es mandar un aviso de la gravedad de la situación que se vive en las cárceles  y, en concreto, sobre la urgencia y necesidad de que los presos políticos  vascos sean llevados a Euskal Herria

Se ha acordado también, por supuesto, de los militantes políticos de otras naciones que se encuentran dispersados.

Yo creo que esto es un aviso,  una llamada de atención, que la ha hecho de una manera muy cruda, pero lo positivo, en mi opinión,  es que la gente así lo ha entendido, y, de alguna manera, con toda esta movilización y esta ola de solidaridad que ha habido, el mensaje que le quiere devolver a Patxi es que coge su testigo y que se hace cargo de su lucha. Yo, como amigo, creo que eso puede ser clave para dar una solución satisfactoria, primero para Patxi ,  y después para los presos y para nosotros.Una de las reivindicaciones de Patxi es que lo trasladen a Euskal Herria junto a las demás presas y presos políticos vascos.

Todos los años se hacen grandes movilizaciones en la calle alrededor de esta reivindicación. Creéis que se están dando pasos en este sentido? Hay una apuesta política real para acabar con la dispersión?

Yo solo te podría dar una respuesta a nivel personal, y en este caso estoy hablando en nombre de la familia y amigos de Patxi. Creo que es una respuesta que debería dar Patxi en todo caso, que es el que ha iniciado esa lucha. Y en ese aspecto, solo me queda decir que para quien no lo sepa,  él encuadra su actividad política y militante en el  Movimiento por la Amnistia y contra la Represión, que se enmarca fuera de la línea oficial de la izquierda abertzale. En ese aspecto, como te digo,  es una pregunta que en cualquier caso correspondería responder a Patxi, ya que cada uno de los amigos y familiares seguramente tengamos nuestra opinión del asunto, y además, es algo que tendría muchos matices.

Cómo estais viviendo vosotras/os, como amigas y familiares de Patxi toda esta situación?

Con bastante angustia y mucha tensión, sobre todo al principio, cuando estuvo en huelga de hambre y sed, sabiendo que la huelga de sed añadida a la de hambre es una cuestión de pocos días. La presión era muy grande en ese aspecto. Para nosotros fue un mazazo el día que nos enteramos que se había puesto en huelga y de lo que había pasado, y a partir de ahí empezó una carrera contra-reloj  que era, como te he dicho, cuestión de días.

Lo primero era saber en todo momento como se encontraba Patxi, cual era su estado de salud, la atención que estaba recibiendo... Ahí encontramos muchas dificultades. Para empezar, la cárcel no aplicó desde el primer día el protocolo que se debe aplicar en estos casos, con la excusa de que ellos hasta el tercer día no supieron nada, por lo que no estaba siendo atendido como es debido. Luego también hemos tenido dificultades  para que el médico de confianza pueda acceder a los informes de Patxi. No le han dejado comunicarse con él directamente, y en ese sentido ha habido bastantes pegas. El estrés que se nos ha generado todo ello ha sido bastante grande, añadido a que estamos intentando buscar una solución satisfactoria para la lucha de Patxi. Ha sido, resumiendo un poco, una mezcla de sentimientos. Un palo muy grande al principio, luego angustia en cierta manera, y mucha rabia también por la actitud que está teniendo la cárcel. 

La lucha que está llevando adelante Patxi está removiendo las calles llenándolas de solidaridad en Euskal Herria, Galiza, Madrid… pasando por Venezuela, Argentina e Irlanda. Cómo estáis sintiendo vosotras esa solidaridad? Y Patxi?

Queremos remarcar que toda la solidaridad que estamos recibiendo está siendo impresionante, tanto en EH como fuera de ella. Por supuesto no nos olvidamos de todo el ánimo que está llegando desde Galiza.  Si hay algo que realmente nos está dado fuerzas para gestionar toda esta movida es la solidaridad que nos está llegando.

Con respecto a Patxi, el ya pregunta como está la calle, si la gente se está moviendo…En ese aspecto pide información sobre todo lo que está pasando, y de alguna manera por teléfono se lo estamos haciendo llegar. Yo creo que todo eso, en la durísima situación que está sufriendo le está dando muchas fuerzas. Así que no nos queda más que dar gracias a toda la gente que desde el principio y de forma incondicional os habeis volcado con él, y en concreto, queremos enviar un saludo muy grande a todas esa gente de Galiza que se está sumando a la lucha de Patxi, que es la lucha de todas las presas políticas.

Y para terminar queremos enviar tambien un saludo muy grande para Patxi, que sepa (y sabe) que estamos con el. Lo mismo a todos los presos y presas políticas vascas y del mundo. Y por supuesto un saludo muy grande a quienes, en Galiza, estáis luchando por la libertad vuestro pueblo. Ánimo, Eskerrik asko y nos vemos en el camino!

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