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07/08/2015 :: Nacionales Galiza

Moncho Reboiras. 40 anos presente nas luitas e combates do teu povo

x Primeira Linha
Homenaje de Primeira Linha a Moncho Reboiras en el 40 aniversario de su muerte en combate

No quarenta aniversário da morte em combate de Moncho Reboiras, Primeira Linha quer homenagear ao dirigente comunista e independentista galego, assassinado pola polícia espanhola 12 de agosto na rua da Terra de Ferrol.

Moncho é o mais destacado alicerce da esquerda independentista galega contemporánea, exemplo de militante revolucionário, guia dos princípios medulares que devem regir o Movimento de Libertaçom Nacional galego: auto-organizaçom, flexibilidade tática, internacionalismo, combatividade, coragem e determinaçom.

Nós, comunistas galeg@s seguimos com modéstia e humildade o teu exemplo que segue vivo nas entranhas do proletariado galego, porque “Que importa que nos matem se deixamos semente de vencer” .

Reproduzimos integramente a biografia da agenda independentista 2015 editada pola desaparecidade NÓS-UP a fins de 2014, com a seleçom de poemas dedicados por alguns dos melhores poetas da Pátria.

Moncho Reboiras 1949-1975

“Que importa que nos matem se deixamos semente de vencer”

 A noite cobreu-se de bolboretas roxas

que se queimárom no lume de Agosto

As palavras dos labregos galegos

ficárom quietas no ar

quando as bateladas de lume

emoureciam medas e colheitas.

As sombras da noite pousárom-se

sobre os lousados de Ferrol.

E ti, meu capitám,

corrias c’o valor de todo’los galegos

agachado no teu peito destemido.

E detrás de ti, meu capitám

os cans fascistas, entolecidos

carrajentos,

co’as babalhas do imperialismo mais feroz

chamando polos cás

de todo’los impérios anacrónicos.

Os obreiros galegos tivérom que vender

a sua força de trabalho

polas esmolas que mandavam

os donos dos cás de Espanha.

Ouh, meu capitám.

ouh José Ramom Reboiras,

com o ferro de todos os punhais e coitelos,

de todos os fusis e dos canhôs

sobor do teu coraçom

galego, apaixonado e generoso.

Que silêncio nas ruas mentres

a soidade de todos os galegos

se fechava nos teus olhos

e o lume de Agosto caía

em carambos dos cás

-c’o seu coraçom ateigado

de medo e cobardia-

ouveando carrage,

rodeárom-te frente ao portal

multiplicando-se em centos por minuto,

saindo de toda’las coveiras da cidade,

já enloitada,

temendo-lhe a tua indomável valentia,

cismando nas medalhas podres

que adornariam o seu peito assassino,

a sua consciência sinistra

de enterradores do Povo Galego

e dos seus militantes mais valentes.

 

Lois Diéguez, Companheiro Moncho, 12 de agosto de 1977

 Introduçom

Um exemplo a seguir

Sem lugar a dúvidas, a figura de José Ramom Reboiras Noia é o melhor referente de combate e luita de um povo que nom se resigna a ser derrotado polo projeto imperialista espanhol.

Neste quarenta aniversário da sua morte, muitas cousas tenhem mudado, basicamente a organizaçom política que tanto contribuiu para desenvolver e consolidar, mas também a sociedade galega da qual foi e é um dos seus mais destacados filhos. A opressom nacional que a Galiza padece por Espanha nom só se mantém incólume, como tem aprofundado a sua sofisticaçom e eficácia. A exploraçom do povo trabalhador polo Capital tem atingido graus inimagináveis na etapa em que Moncho criou as bases do movimento obreiro genuinamente galego.

A esquerda independentista galega organizada em NÓS-UP nom arriamos as bandeiras que abraçou Reboiras, como tampouco alteramos a história, esvaziando a sua figura e o seu exemplo, integrando a sua luita em funçom das necessidades da política espectáculo institucional, transformando um guerrilheiro urbano –o mais elevado degrau da espécie humana em palavras do Che- num mero ativista cultural e sindical.

É indiscutível que Moncho Reboiras consagrou a sua vida à luita. Divulgar a sua biografia, reivindicar o seu legado, promover o seu exemplo, é a nossa humilde contribuiçom neste quarenta aniversário do seu assassinato pola policía espanhola na rua da Terra de Ferrol.

Mas a luita em base à auto-organizaçom do povo galego, em base às dinámicas próprias, às necessidades, caraterísticas e ritmos das sua classe trabalhafora e camadas populares.
Eis a grande achega na que Moncho deixou o mais preciado de um militante revolucionário e um ser humano, a sua própria vida.

Ainda que o queiram fagocitar, maquilhar, integrar, Moncho Reboiras continua vivo e presente entre o povo combatente, na auto-estima coletiva das luitas quotidianas contra o desemprego, por um salário melhor, por umha sanidade e um ensino público de qualidade, em defesa do idioma e contra o assimilacionismo espanhol, contra os despejos e na defesa da vivenda, contra a opressom e os direitos das mulheres, por um futuro digno para a juventude, na defesa do nosso ecossistema, na luita contra a voracidade do capitalismo em crise, pola Soberania e a Independência Nacional, contra o imperialismo, pola República Galega, polo Socialismo e umha sociedade superadora do patriarcado. Entre @s que nom capitulam e mantenhem vivo o seu exemplo de rebeldia e coragem.

Anos depois, Abelardo Colaço em Agosto de 1980, e posteriormente Lola Castro Lamas “Mariana” e José Vilar Regueiro “Marcos”, em 11 de Outubro de 1991, também falecêrom luitando contra os interesses do capitalismo espanhol.

A luita continua!

 Denantes mort@s que escrav@s!

Biografia

José Ramom Reboiras Noia, popularmente conhecido como Moncho Reboiras, embora em diversas etapas da sua curta mais intensa trajectória vital também fosse conhecido polas alcunhas de Pelinhos, Licho e Rianjo, nasceu 19 de janeiro de 1950 –poucos dias depois do mesmo ano no que no exílio bonaerense falecia Castelao-, na aldeia de Imo, freguesia de Sam Joám de Lainho, do concelho de Dodro, na zona mais ocidental da comarca de Compostela, no seio de umha família labrega.

Estudou Educaçom Primária na escola unitária de Imo e, como todo neno do rural daquela época, também tivo que ajudar nas tarefas agrícolas.

Moncho Reboiras nasce num período em que ainda está viva a atividade da guerrilha galega que durante umha longa década combateu de forma eficaz e organizada a ditadura fascista imposta no nosso país após o golpe de estado do 18 de julho de 1936, que tingiu de sangue as valetas da Pátria e converteu a Galiza num imenso campo de concentraçom.

Numha etapa caraterizada pola miséria generalizada em que sobreviviam as imensas massas populares, a emigraçom continuava a ser a única alternativa para fugir da pobreza e o atraso a que o capitalismo espanhol condena o povo trabalhador galego.

O fim da década de cinqüenta é expetador do discreto novo abrolhar da consciência nacional da mao de reduzidos núcleos da juventude pequeno-burguesa, e da tímida reorganizaçom do movimento operário após a liquidaçom física, vinte anos antes, da musculatura das forças políticas e sindicais obreiras pola implacável repressom fascista.

 O Vigo dos seus primeiros anos

Com tam só nove anos, José Ramóm Reboiras emigra com toda a familia, com o seu pai José, a sua mae Generosa e o seu irmao Manuel, para Vigo, à procura de umha vida melhor.
José e Generosa instalam-se no bairro operário de Teis, na maior cidade do sul da Galiza e com os aforros logram abrir um negócio de hotelaria, o bar Noia, “Vinhos e comidas. Café express”.

Tanto Moncho como o seu irmao, um ano mais novo, ajudam a sua mae a levar o negócio, estabelecendo de imediato relaçom direta com o ambiente obreiro e a sua crua realidade. A composiçom eminentemente proletária da clientela do estabelecimento devia-se a que estava encravado à beira do estaleiro Vulcano e das instalaçons de Rodolfo Lamas, umha empresa de construçom civil.

Porém, as dificuldades socioeconómicas persistem, provocando que o pai se veja obrigado a embarcar em mercantes e petroleiros noruegueses, para contribuir na mantença da família.

Todas as crónicas coincidem em definir o jovem Moncho como um rapaz responsável, trabalhador, estudante aplicado, um jovem que gostava do desporto e que sempre mantivo grande curiosidade pola realidade social em que estava inserido.

Com quinze anos, quando estudava Ensino Secundário no instituto Santa Irene, tem a sua primeira experiência no mundo proletário, trabalhando de peom na construçom civil por um breve período.

Em Castrelo de Minho, a recém criada Uniom do Povo Galego (UPG), da que será um destacado dirigente anos depois, promove a oposiçom labrega à construçom da barragem de Fenosa, no que é um dos primeiros episódios de oposiçom organizada ao regime.

Nesse mesmo ano, às 11.30 horas de 10 de Março de 1965, caía abatido polas balas espanholas da Guarda Civil o último combatente em ativo da resistência armada antifascista. José Castro Veiga “O Piloto”, com cinqüenta heróicos anos às costas, morria à beira do regato das Andorinhas, no Choupám, que separa as parroquias de Pesqueiras e Sam Fiz de Asma, ambas pertencentes ao concelho de Chantada, armado e identificado com o seu cartom do Exército Guerrilheiro da Galiza.

 Os primeiros compromissos

É pois na segunda metade da década de sessenta quando o adolescente Moncho Reboiras, da mao do jesuíta Padre Jaime Seixas, entra em contato com o emergente tecido cultural galego.
Primeiro na associaçom cultural O Castro, participando em atividades cristás progressistas de fim de semana, onde por meio do idioma perseguido descobre a Naçom negada, e posteriormente na Associaçom Cultural de Vigo, principal ferramenta organizativa da incipiente esquerda nacionalista na cidade olívica.

A onda ascendente de luitas operárias e populares que denunciam, desafiam e combatem a ditadura fascista provocam que em 1969 seja decretado o estado de excepçom.

É precisamente neste ano quando os irmaos Reboiras, José Ramom e Manolo, entram na primigénia UPG, umha organizaçom política nacionalista de matriz marxista, mas com umha composiçom maioritariamente pequeno-burguesa, discurso interclassista e umha orientaçom marcadamente culturalista.

As primeiras tarefas políticas do jovem ativista continuam centradas na Associaçom Cultural de Vigo, basicamente na captaçom de nova militáncia mediante o imprescindível proselitismo que aproxime juventude junto do movimento de libertaçom nacional.
Moncho, desde o primeiro momento, destaca polo seu compromisso, constáncia e perserverança, por querer aprender e devorar conhecimentos, por superar-se permanentemente, polas suas dotes organizativas e de direçom, mas também por dar um giro político e ideológico à UPG.

Porém, continua a participar activamente nas iniciativas da associaçom. Em julho de 1973, sob o pseudónimo de Ken Sabe, publica o poema intitulado Berra Nom, que reproduzimos integralmente.

Quando os fortes te assovalhem                      fazendo os ricos mais ricos

e te bailem ao seu som                                        fai-te ouvir e berra nom!

quando estejas aldrajado                                    Mentres haja cobiçosos

fai-te um homem e berra nom!                       que assovalhem por ter dom,

Quando vejas os “bons homens”                     enquanto haja que ajoelhar-se

roubando pior que ladrons,                               fai-te ouvir e berra nom!

quando vejas a injustiça,                                 Enquanto vejas homens rindo

fai-te um homem e berra nom!                       por dentro chorar com a dor,

Enquanto vejas semelhantes                           à sociedade em que vives

trabalhar de sol a sol                                       berra-lhe, di-lhe que NOM!

 

Rapidamente, da mao do marxismo, toma consciência da opressom nacional que padece a Galiza e da exploraçom a que se vê submetido o povo trabalhador e, portanto, da necessidade de construir o partido revolucionário galego para organizar e promover a libertaçom nacional e a emancipaçom de classe.

Simultaneamente, realiza estudos na Escola de Engenharia Industrial em Vigo, compaginando bom expediente com umha ativa participaçom nas reivindicaçons estudantis, incorporando sem complexos e com decisom a defesa intransigente do idioma galego frente ao espanholismo hegemónico nos ativistas ligados às organizaçons políticas reformistas e estatalistas. Neste centro participa na fundaçom da revista Des…tornillo’, de clara orientaçom nacionalista.

Finalizados com sucesso os estudos na faculdade, logra realizar como bolseiro práticas de engenharia no estaleiro Barreras, de onde é rapidamente expedientado e expulso polo seu compromisso militante de agitador e organizador. O jovem Moncho participa ativamente nas mobilizaçons e combates de rua da greve geral viguesa de setembro de 1972.

Posteriormente, trabalha na fábrica Álvarez de Vigo, antes de se mudar por razons de saúde, -tinha sido operado de pleura-, primeiro para Ferrol, incorporando-se a Astano, e logo para a Corunha onde compagina o seu compromisso militante com o trabalho de obreiro em Intelsa.

Nesse ano, tem que realizar no quartel de Figueirido o serviço militar obrigatório.

 Jovem experimentado dirigente revolucionário

A precariedade e falta de meios humanos nesta etapa do movimento de libertaçom nacional galego provoca que a nova geraçom militante supra estas carências com ilimitadas doses de abnegaçom e entrega entusiasta. Moncho Reboiras é paradigma desta heróica empresa que logra em poucos anos, a base de sacrifícios e disciplina, ultrapassar os enormes obstáculos.

Entre 1972 e 1975, esta fornada combatente consegue evitar a destruiçom do nosso povo, sentando os parámetros das bases fulcrais para que, entre enormes contradiçons, avanços e derrotas, na Galiza de hoje o seu exemplo continue vivo no projeto estratégico da esquerda revolucionária independentista e noutras forças patrióticas.

As luitas operárias de março de 1972 em Ferrol, saldadas com o assassinato de Amador Rei Rodrigues e Daniel Niebla Garcia e dúzias de feridos de bala pola repressom policial, e posteriormente a greve que em setembro desse mesmo ano, abrange quase trinta mil trabalhadoras e trabalhadores da comarca de Vigo, é um ponto de inflexom no desenvolvimento da luita contra a ditadura e na recomposiçom da vanguarda nacional e operária.

A UPG, da mao da geraçom de Moncho, dá passos firmes, embora insuficientes, na superaçom do culturalismo nacionalista de partido-frente, no objetivo de se transformar num partido revolucionário comunista.

Um novo contingente de jovens operários incorpora-se à organizaçom fundada em 1964, facilitando a sua expansom territorial e basicamente a sua introduçom na classe trabalhadora. No quadro desta concepçom de organizaçom de vanguarda, a UPG impulsiona a criaçom de frentes de intervençom, além da cultural que já vinha desenvolvendo no associacionismo em defesa da língua e da cultura nacional.

Tal como o jovem dirigente revolucionário afirma no Terra e Tempo, vozeiro da UPG “Pola necessidade de criarmos um fortíssimo bloco nacional-popular que enquadre todas as forças politicamente antifascistas e antioligárquicas que poda dar a batalha ao regime assassino que nos aferrolha e que poda conseguir o triunfo final do povo galego sobre os seus inimigos: o fascismo e a oligarquia espanhola” esta organizaçom promove em maio de 1975 -tam só três meses antes do seu assassinato- a constituiçom de umha plataforma política interclassista e assemblear com vocaçom de instrumento constituinte e coordenador do processo de superaçom do franquismo e de autodeterminaçom nacional: a AN-PG (Assembleia Nacional-Popular Galega).

Seguindo esta estratégia, em junho de 1973 redige com Manuel Lima o “Borrador provisional pra discutir sobre das bases dunha organización dos traballadores asalariados a nivel sindical” documento embionário do Sindicato Obreiro Galego (SOG).
Promove os “germes sindicais” que em 1973 se transformam em Frente Obreira para, em maio de 1975, darem lugar à criaçom do SOG, como a fusom de diversos sindicatos sectoriais do ensino, saúde, banca e trabalhadores do mar; as Comissons Labregas (CCLL) como continuidade dos Comités de Ajuda à Luita Labrega (CALL); e ERGA (Estudantes Revolucionários Galegos) como frente estudantil.

 Promotor da Frente Cultural

A coordenaçom e coesom do ronsel de organizaçons culturais ligadas à esquerda nacionalista foi em parte resultado do ingente trabalho organizativo de Moncho Reboiras. Ele, com  tam só vinte e três anos, é o artífice da importante reuniom decorrida na sacristia da igreja de Sam Martinho de Noia um domingo do Verao de 1973, que dá lugar à criaçom da Frente Cultural da UPG e à posta em andamento de iniciativas conjuntas como a revista Irmandinho.

 O sindicalismo nacional e de classe

Moncho Reboiras foi determinante no processo de proletarizaçom da UPG e introduçom do movimento de libertaçom nacional no mundo operário, até esse momento sob a hegemonia do reformismo espanholista, basicamente do PCE.

Em Vigo, após a greve de setembro de 1972, tenta a aproximaçom de nucleos proletários da recém criada Organizaçom Obreira à Frente Obreira.

Já na Corunha, a inícios do Verao de 1973, no mês de junho, é co-autor do importante documento “Rascunho provisório para discutir sobre as bases de umha organizaçom dos trabalhadores assalariados a nível sindical”, embriom do que posteriormente foi o SOG como antecedente da ING-INTG-CIG.

Nesta cidade, consolida umha estrutura mínima à volta da publicaçom Xerme: Também estivo em Ferrol, trabalhando num primeiro momento numha empresa auxiliar de Bazán, para exercer de eletricista em Isolux Naval, umha subcontrata do estaleiro Astano.

Moncho Reboiras foi determinante na construçom de um movimento sindical genuinamente galego, com o centro de gravidade na estrutura de classes da Galiza e comprometido com as necessidades e reivindicaçons específicas da classe trabalhadora galega.

 Organizador comunista

A sua juventude era compensada com umha dedicaçom plena aos labores da Revoluçom Galega. Moncho Reboiras cumpriu um papel essencial na estruturaçom da UPG em diferentes regions da Galiza, na coesom e unidade interna do movimento soberanista em plena expansom. Assim, a sua intervençom direta no conflito foi vital para frustar umha tentativa de cisom em ERGA a inícios de 1973.

Chegou a ser um experimentado mestre da arte da luita clandestina e conspirativa. Demonstrou sempre grande habilidade para nom ser apanhado polos aparelhos repressivos do regime fascista, pola temida polícia política, a BPS (Brigada Político Social).
Deste jeito, conseguiu sempre safar-se da detençom e da tortura, embora quando realizava o serviço militar tivesse sido interrogado em 1972 polo temido Waldo Mazaira, o chefe policial de Vigo naquela altura.

Em janeiro de 1973, cai em Cangas do Morraço parte do aparelho de propaganda que contribuira para criar. É incautada a multicopista, mas a militáncia ligada a esta estrutura consegue refugiar-se em Paris e no norte de Portugal.

Em abril de 1974, após um confronto armado com a Guarda Civil nos montes de Monforte de Lemos, sai invicto burlando o cerco e continuando a sua atividade político-militar pola causa da Revoluçom Galega. Tal como o Che, sabia que num processo revolucionário, se este é verdadeiro, ou se triunfa ou se morre. Moncho era dos que nunca optam polas comodidades do sofá e das tertúlias de café. Dos que se implicam a fundo, dos que sem duvidar arriscam a vida pola Pátria e as suas maioriais sociais.

As suas cada vez mais importantes funçons e responsabilidades facilitam que desde inícios de 1972 Moncho passe a fazer parte de maneira quase natural do Comité Central e do Comité Executivo da UPG, susbtituindo nos labores de direçom o feixe de artistas, inteletuais e funcionários que hegemonizárom a primeira etapa e que, após a sua morte, voltárom paulatinamente a serem hegemónicos.

Dedicado plenamente à luita revolucionária, vai organizando células, núcleos de simpatizantes, grupos de apoio nos mais diferentes pontos do País.

Moncho estava num panfleto, numha pintada, numha assembleia obreira, numha reuniom cultural, de estudantes, de labregos, num encontro clandestino, no assalto a um banco, na expropriaçom de umha multicopista, na redaçom de um documento, num debate estratégico, ensinando e formando jovens militantes, transportando propaganda, editando um vozeiro, lançando pedras à polícia, elaborando um cóctel-molotov, fugindo da perseguiçom, viajando no seu Seat 600 polas estradas e caminhos da Galiza… na mais simples e na mais complexa tarefa de um militante comunista.

Um antigo camarada afirma que “O seu exemplo, a sua atençom constante ao trabalho dos companheiros e a sua grande determinaçom fazia com que todos os objetivos parecessem possíveis e reais”.

 Coordenaçom e alianças internacionais

Moncho Reboiras foi um dos artífices das relaçons internacionais que a UPG começa a estabelecer na década de setenta.

A Revolução dos Cravos em Portugal facilita que a partir do 25 de Abril de 1974 a esquerda soberanista galega utilize o norte do país irmao como retaguarda. Deste jeito, a UPG começa a contar com valiosa ajuda de diversas expressons da esquerda revolucionária portuguesa e dota-se de gabinetes em Lisboa e Porto.

Também por meio de militantes exilados e emigrados a UPG, conta com representaçom permanente em Paris, Genebra e Caracas, onde concentra boa parte dos seus arquivos.

Porém, o mais importante acordo de coordenaçom internacional cristaliza na Carta de Brest, um conjunto de manifestos e documentos assinados inicialmente com o Movimento Republicano Irlandês (IRM) e a Uniom Democrática Bretoa (UDB), à qual posteriormente  aderírom organizaçons bascas, galesas, catalás, ocitanas  e sardas, para promover luitas e iniciativas conjuntas com o objetivo de que as pequenas naçons europeias se dotassem de estados independentes de orientaçom socialista.

Também a UPG a partir de dezembro de 1974 assina diversas declaraçons conjuntas sobre diferentes temas de atualidade com a ETA e o PSAN-p.

Está documentado que Moncho Reboiras participa na primavera de 1975 em Madrid numha reuniom com a ETA, à qual assistem Pertur e Wilson pola organizaçom armada basca. O principal objetivo do encontro era lograr a sua colaboraçom para contribuir no desenvolvimento da frente armada da UPG. Porém, a infiltraçom policial do comando da ETA que colaborou na Galiza facilitou a posterior detençom de militantes, queda do grupo de Moncho Reboiras, exílio a Portugal e desmantelamento do núcleo central.

 A luita armada

Desde inícios da década de setenta, tem lugar no seio do movimento de libertaçom nacional um debate sobre os métodos de luita que se deviam empregar. Moncho Reboiras foi um dos mais destacados defensores da necessidade de complementar a luita de massas clandestina e semi-legal com a formaçom de umha estrutura militar no quadro da sua concepçom integral da luita insurreicional por atingir umha Galiza livre e socialista.

Desaparece dos atos públicos e começa a dar os passos na direçom de implementar o que sem ambigüidades recolhe o Terra e Tempo especial em formato dossier sobre os acontecimentos de março de 1972 editado inicialmente no interior, sob a sua coordenaçom, e posteriormente reeditado em Paris: “(…) a necessidade que o povo tem de passar a formas mais avançadas de luita, chegando paulatinamente à luita armada. Galiza necessita um destacamento armado que apoie cada um dos movimentos e luitas de massas. Os obreiros de Ferrol nom tinham mais que pedras nas maos. O inimigo tem pistolas, metralhadoras e, se for preciso, tanques, canhons e avions. Há que criar um exército clandestino que devolva olho por olho e dente por dente a cada crime e a cada tortura. Se nom se fai assim, os obreiros, os trabalhadores, os estudantes, os nacionalistas e os democratas nom avançarám mais. A politizaçom, a conscientizaçom popular, está a chegar ao máximo. É preciso agora que as massas se sintam protegidas e apoiadas nas suas luitas por um destacamento armado, dirigido polo Partido, e assim continuar até a vitória”.

No Terra e Tempo editado em maio desse ano 72, a UPG insiste na necessidade de “trabalhar pola construçom de um partido que dirija corretamente a classe obreira no seu caminho face a luita final e a vitória histórica, e lhe faga ver a necessidade da resposta armada à violência do capital e da ditadura fascista.

Assim, a luita armada é algo que nós temos sempre proclamado como soluçom final. Nom quer dizer isto que vaiamos lançar-nos a um terrorismo aventureiro. O trabalho político a fazer antes do desencadeamento da luita armada é ainda grande, de jeito que nom podemos dizer quando nem como começará nem através de que etapas se desenvolverá. O que é bem claro é que chegará um momento em que a açom das massas populares nom poderá avançar face à sua libertaçom definitiva à tomada do poder se nom emprega a luita armada. Será entom quando as massas populares criarám, sempre sob a direçom política do partido operário, a sua organizaçom ou destacamento armado”.

Desde 1974, Moncho tem como responsabilidade prioritária constituir a frente armada da UPG, participando nos operativos que a dotem da imprescindível infra-estrutura e logística: expropriaçom de fundos (assalto a bancos em Escairom, Corunha e Lugo, a Fenosa em Vigo), de multicopistas, automóveis, papel, documentos de identidade (assalto e roubo de dezenas de milhares de “DNI”, máquinas de plastificar, selos, da esquadra policial de Lugo). Esta última e mais conhecida acçom foi realizada conjuntamente com militantes bascos e portugueses e o “botim”distribuído.

Neste intenso período, tem que passar pequenas temporadas em Portugal, para evitar ser detido, e mesmo alterar o seu aspecto físico. Estadas sempre bem aproveitadas para manter reunions com forças de esquerda como o Partido Revolucionário do Proletariado-Brigadas Revolucionárias.

O Moncho cabeludo e com bigode com que passou ao imaginário colectivo da luita de libertaçom nacional da Galiza, na realidade, nom era mais que um disfarce para eludir ser detetado e capturado.

 Queda em combate

A inícios de agosto, som detidos numha operaçom policial três militantes da UPG e dous da ETA. A partir deste momento a ofensiva contra a Frente Armada precipita-se fatalmente.  Moncho Reboiras é detetado num andar do bairro de Canido de Ferrol na noite do dia 11 de Agosto de 1975. Cercado pola BPS e por mais de 300 efectivos da Polícia Armada, começa a caça ao mais importante militante revolucionário da Galiza do último meio século.

Após queimar a documentaçom que poderia danar a organizaçom em caso de cair em maos do inimigo e facilitar a fugida de Elvira Souto e Lois Rios -os dous camaradas que o acompanhavam no apartamento clandestino- Moncho nom vacila: numha mostra mais da sua coragem e heroicidade, tenta atrair a polícia e superar o cerco.

Os seus camaradas escapariam saltando umha janela do pátio interior da casa contígua, e Moncho inicialmente através dos telhados, passa a outro prédio por meio de umha clarabóia cuja ruptura concentra a atençom das forças policiais.

Após horas de perseguiçom conseguem atingi-lo no portal de um prédio da rua da Terra. Como a rendiçom nom fazia parte da sua coerência revolucionária, com determinaçom e inteireza fai frente ao inimigo.

Perante o temor que a sua figura transmitia, é cobardemente acribilhadado a balaços na manhá do 12 de agosto de 1975, no número 27 de um portal da rua da Terra do Ferrol proletário.

Manolo Reboiras relata assim como viviu essa jornada acompanhado da sua mae.

“Às 10 da manhá do 12 de agosto de 1975.
Dia calorento em que compartilho com uns alunos do bairro de Teis umhas classes de recuperaçom de matemática.

Um vizinho, muito nervoso e gesticulante, traz um recado para que urgentemente vaia a casa; algo muito grave passou ao meu irmao.

Faltam-me palavras para exprimir as lembranças e os medos que nuns segundos se arremoinhárom na minha cabeça. Havia meses que nom tinha contatos com Pepe. A última vez que estivéramos juntos, fora num encontro casual na estaçom de Atocha em Madrid, em março de 1975. Eu retornava para a Galiza e ele tinha umha reuniom em Madrid. Logo soubem que eram os encontros que a nível de Estado tinham as organizaçons nacionalistas galegas, bascas e catalás para valorizarem a situaçom política e articularem umha alternativa conjunta que desse resposta à decadência da Ditadura e ao projeto que setores mais ou menos liberais e forças de esquerda espanhola estavam a organizar. Passei à sua beira e nom o reconhecim. Ele tampouco falou. Ia bem vestido, com peruca e óculos. O instinto quijo que me virasse: ao vê-lo andar de costas, dei-me conta e chamei por ele. Daquela, achegou-se e estivemos a falar muito tempo até que saiu o meu comboio.
(…)

Às 10.15 horas chego a casa. A minha mae está a aguardar. Dificilmente consegue vestir-se para a viagem. O meu pai está embarcado num mercante, na soidade absoluta do mar: tarda ainda uns dias em saber da tragédia e mais tempo ainda em poder arribar a porto. (…)

Passamos Padrom e Santiago e íamos já pola velha estrada, direçom Ferrol. O rádio do carro nom dizia nada. As notícias falavam da presença do Caudilho em Meirás e da botadura de um grande petroleiro nos estaleiros de Astano. A tensom palpava-se no ambiente. A minha mae olhava-me sem aguardar resposta: os dous calávamos. No fundo, desejávamos que Pepe estivesse ferido e poder trazê-lo para a casa.

No parte das 12, a rádio fala já de um confronto armado nas ruas de Ferrol e da morte de um moço de 25 anos, José Ramom Reboiras Noia. A minha mae estremece e sofre em silêncio. Eu tento manter a calma, enquanto pola minha cabeça voltam a passar em poucos segundos os 25 anos da vida compartilhada.

Ao chegarmos à Ponte das Pias, a ponte onde caíram assassinados havia uns meses Amador e Daniel, a tensom fai-se insuportável. Nos estaleiros de Astano, as autoridades civis, religiosas e militares compartilham a festa, enquanto a polícia secreta e os “grises” bloqueavam a cidade, registando qualquer cousa suspeita, buscando ativistas e detendo camaradas em Santiago, Vigo, Lugo, Ourense e Corunha.

Sobre a 1 da tarde, um funcionário municipal leva-nos ao cemitério de Catabois, nas redondezas de Ferrol.
Ali, num quarto, acima de umha rudimentária e fria mesa de pedra, estava Pepe, totalmente despido e com 3 impactos de bala nas costas, e nom na cabeça como consta no certificado de óbito, tentando justificar e dar umha coarctada ao vil assassinato.

Esses impactos de bala nas costas coincidem com a versom do “grises”, que declaram: “que al ser requerido para que se detuviera, echó a correr, por lo que los funcionarios actuantes, después de reiterar la voz de alto, trataron de intimidarlo con unos disparos al aire”.

Malferido e agonizante -um dos disparos afetou-lhe umha arteria por cima do coraçom, produzindo-lhe umha “anemia aguda e fulminante” -só lhe deu tempo a chegar ao portal da Rua Terra, nº 27, onde se desangrou. Tardárom mais de 2 horas a entrar e descobrir o cadáver. Antes cribárom o portal a balaços com mais de cem impactos e, finalmente, depois de entreabrir a parte superior da porta com uns troncos de umha obra próxima, guindárom duas bombas de gás lacrimogéneo e topárom o corpo”.

Posteriormente, tem lugar umha razzia policial contra a esquerda soberanista, realizando-se detençons de militantes da UPG em diferentes pontos da geografia nacional, ficando praticamente desmantalada a totalidade da infraestrutura de apartamentos clandestinos e depósitos de material da organizaçom. A precariedade e inexperiência da recém constituída Frente Militar, a infiltraçom policial na ajuda externa, a prematura queda do seu máximo dirigente, mas basicamente a falta de interiorizaçom e vacilaçom dos principais dirigentes sobre a natureza da luita, provocou que o projeto integral que Moncho estava a construir ficasse completamente desmantelado. A direçom pequeno-burguesa hegemónica na UPG optou por manter simplesmente a retórica, renunciando a umha coerente prática.

O comunicado que o Comité Executivo da UPG emite em setembro, poucas semanas depois da morte de Moncho é exemplo disto, assume politicamente o projeto:

“A UPG afirma que o armamento que possuíam os seus militantes está ao serviço da luita e a defesa das classes trabalhadoras galegas contra o terrorismo fascista do Estado Imperialista Espanhol, entendendo que frente à quotidiana violência sobre o povo a resposta das classes trabalhadoras organizadas passa, necessariamente pola violência revolucionária”.

As causas polas que aquele jovem de 25 anos morreu, convertendo-se no mais destacado herói da nossa luita de libertaçom nacional, seguem sendo incómodas para o nacionalsimo hegemónico. Num artigo de “homenagem” a Moncho Reboiras publicado em 2009[1] um destacado dirigente nacionalista afirma sem o mais mínimo rubor que“Nom tenho consciência, tampouco nunca perguntei, de que se aspirasse a empregar métodos próprios de luita armada”. Como pode ser isto possível quando no segundo aniversário do seu assassinato a UPG difunde um caderno homenagem com um longo poema laudatório e umha síntese biográfica, na qual se afirma “Dedicado de cheio ao trabalho partidário e compreendendo a necessidade da violência para defender as conquistas populares e eliminar o poder do fascismo imperialista, MONCHO, empreende com outros companheiros, um novo método de luita na Galiza: a luita armada”.

Apesar da pressom policial, das ameaças de multas e repressálias, centenas de pessoas, amizades, camaradas e familiares, assistírom no dia 13 de agosto ao seu enterro no cemitério de Imo. Desde o trágico 12 de agosto de 1975, nunca faltárom flores no seu túmulo, nem as lembranças diante do portal onde entregou a vida por umha Galiza libertada e socialista.

 Polémico reconhecimento como vítima do franquismo

12 de agosto de 2009, data do 34 aniversário da sua queda em combate, o Estado espanhol reconheceu Moncho Reboiras como vítima do franquismo. Em cumprimento da Lei da Memória Histórica, o ministério espanhol de Justiça outorgou a condiçom oficial de vítima da ditadura. Antón Louro afirmou no ato realizado na Delegaçom do Governo na Corunha, perante dúzias de dirigentes do nacionalismo galego, que Moncho “padeceu ilegítimamente violência e perseguiçom que motivárom a sua morte pola sua defesa do movimento sindical e a sua militáncia política nacionalista”.

O naquela altura virrei espanhol na Galiza acrescentou que esta decisom parte de “um reconhecimento às conviçons profundas asentadas na democracia e a liberdade que orientárom o compromisso de Reboiras, umha figura com princípios e valores democráticos entre as melhores pola sua generosidade e entrega”, e com o intuito de evitar polémicas acrescentou que este reconhecimento “é um instrumento carregado de espírito de concordia das melhores tradiçons democráticas”.

A esquerda independentista nom participou num aparente, embora deliberado, exercício de confusionismo porque nem Moncho nem a nossa luita pode nem deve contar com o reconhecimento da mesma Espanha que o assassinou e que continua tentando por todos os meios destruir o nosso projeto nacional.

 

Reclamo a liberdade pr’o meu povo

Na mémória de José Ramóm Reboiras Noia[2]

 

No vento de maçám que se desfraga

nos cons e pedregulho solar

do cabo de Home e Punta do Cavalo de Fora

reclamo a liberdade pr’o meu povo.

 

No meninho que dorme

no edredom dos teus olhos

reclamo a liberdade pr’o meu povo.

 

Nas velhas mans agrárias,

nas loias amorosas dos estios

reclamo a liberdade pr’o meu povo.

 

Nos bicos acedíssimos e tenros

dos meus filhos imensos

reclamo a liberdade pr’o meu povo.

 

Nos sangues artesáns que tenho ardendo

em cada dedo meu;

nos finos lavradores que aparecem agora no papel

levando chapéus pardos, panos de seda e zocas remontadas

reclamo a liberdade pr’o meu povo.

 

Nos crepúsculos de anis

nos que se erige a família naval de Manoel António

e pom, de arca e couso, pequeninhos

lumes azuis e brancos de Sam Telmo

reclamo a liberdade pr’o meu povo.

 

Na angúria de arandela que te cerca,

nos marcos, portas, fechos, nos duríssimos e sem luz

arames, nom me torço e

reclamo a liberdade pr’o meu povo.

 

Nos têpedos infernos da tua boca, ferida

de comunhom ao sol e ao vinho mais adentro,

diapasom da verdade de pantrigo

e cúmio do cabaço e da alvorada boa

reclamo a liberdade pr’o meu povo.

 

Na cizanha, composiçom, feitura, debuxo ruim

de cada cerimónia de convénio colectivo

cegando o nosso fogo metalúrgico

reclamo a liberdade pr’o meu povo.

 

Numha nena de seis anos que nasceu em Basileia

e cantou p’ra mim a Internacional em idioma galego e nom

puidem reter o pranto e foi em mil novecentos

setenta e quatro, e por ela

reclamo a liberdade pr’o meu povo.

 

Nas muradelhas de couselo e da violeta

nas fonduras da carriça e dos fentos

nos castros, calçadas e vieiros

(pedra do além) p’ra sempre abandonados

reclamo a liberdade pr’o meu povo.

 

Nos caminhos fechados, nos abertos,

nos que levam às casas dos homes nossos de cada dia,

nos tranportes por ferrocarril,

nos irmáns que governam as máquinas do mar

e os camions na alta noite,

reclamo a liberdade pr’o meu povo.

 

Na fogueira de Londonderry, em cada palavra,

em cada palavra do nosso tio Ho Chi Minh, como um ouriol,

enchendo a tarde de luz nacionalista e líquidos

reclamo a liberdade pr’o meu povo.

 

Na sindical reconstruçom diária

de cada cousa partida e volta a endireitar,

na uniom mínima dos homes arredor dum problema sórdido,

em cada petiçom em grupo,

em cada contubérnio de mans dadas

reclamo a liberdade pr’o meu povo.

 

Na casa dos meus avós arrecendente

a si própria, singular no mundo;

nos cavalos da serra e nos mineiros

de Lousame aquel vinte de Santiago

reclamo a liberdade pr’o meu povo.

 

No estemecido urro das marés em guerra,

no arrualho do amor e na rapaza

perdida sem que fosse nunca nossa

reclamo a liberdade pr’o meu povo.

 

No comer e no beber

à volta da ola de camaradagem,

no sacro segredo à volta da pérola de luz clandestina,

no medo e na teimosa retesia em torno do adverso

reclamo a liberdade pr’o meu povo.

 

Nos luitadores de xofre e lume acedo,

nos defuntos endejamais vencidos,

nos que virám e som ainda lene brisa e voz de melro

e portarám o ferro e darám a morte clara

reclamo a liberdade pr’o meu povo.

 

Nos rios, nas folgas, nos romaxes,

nos protestos nos muros, nos escritos,

nas gaitas, nas areias de Espasante acaso

reclamo a liberdade pr’o meu povo.

 

Nos emigrados, nos perdidos, nos presos, nos explorados,

nos que contemplam a debalar das águas

sem fim, nos que confiam no meu par

tido (tuba de despertar ou caminho que nunca se desanda),

nos que combatem e ham de ser lôstrego

achaiador, neles ponho a mínha língua e descanso os meus olhos

reclamo a liberdade pr’o meu povo.

reclamo a liberdade pr’o meu povo.

 Poema/homenagem a José Ramom Reboiras Noia

 JOSÉ RAMOM REBOIRAS NOIA,

amigo, camarada, estrela

vermelha-azul-branca no mencer

prometedor da nossa pátria,

herói em tempo de traiçom,

corrupçom/cobardia,

martelo

proletário,

remo

com sabor a sal e iodo;

fouce labrega/vingadora;

espiral que vem dendes do

fundo do tempo para abrir-se

em claridade e futuro.

 

Ti eres

a pedra=mestra para

re-EDIFICAR                a nossa casa.

Puidérom segar-che a vida,

ouh, Moncho, meu irmao!,

a-assa-ssi-nar-te.

O que eles nom puidérom,

nem poderám endejamais,

é arrancar/esmagar a

semente que deixaste

esparexida no coraçom

do povo,

na vigiante

consciência colectiva

e que

já está a agromar em

pátria-ceive/socialista.

Esta é, ouh, camarada,

amigo e irmao

i

nes

quen

vel!

a tua vin-gan-ça,

a nossa

vingança i-ne-xo-rá-vel.

 Manuel Maria, do livro Poemas para reconstruir umha pátria, 1977

Companheiro Moncho

Que palabras podem explicar a tua ausencia,

companheiro.

Que palabras, meu capitám,

Podem chorar o assassinato

que nos deixou espidos fronte

às maus ensanguentadas

dos filos do Tio Sam.

 

As paisagens silenciosas

queimam-se hoje na luz esmorecida

deste agosto ardente.

 

Aldeias tristes

tecem flores murchas quando a tua chamada

percorre as corredoiras

nas pombas-panfleto

que as maus dos que te choram

deixárom pola noite.

 

Que força vai ter a palavra

depois da noite da metralla

a buscar

o teu sensible coraçom de auroras

e rostos luminosos.

 

Como há que trabalhar a palavra, agora,

amigo dos soutos e das penas,

a nossa voz de pregos e feridas,

o nosso idioma ametralhado

que tu ergues-te com orgullo

que dá a conciencia do ser,

numha bandeira.

 

Como há que trabalhar a palavra,

diz, Irmandinho deste novo tempo,

para convocar

os homens e mulheres que dérom o sangue

pola Pátria,

polo pam,

polo abrente de luz que vence o medo.

Como há que blindá-la companheiro,

para que nom a envenenem as aranhas

ou se bote nas maseiras dos imperialistas

e vendidos.

 

Na noite violada ardérom as asas

das bolboretas traiçoadas

Chegavam urros de labregos

quando as badaladas de lume

calcinavam as suas airas.

As sombras da noite cravavam gadanhas frias

nos lousados de Ferrol.

E tu, meu capitám,

corrias

aceirando o jardim madurecido

do teu peito.

Iam os fascistas na procura,

ouveando como os cans

de todos os impêrios confrontados.

 

Moços galegos ficavam no peirao,

aa praça pública, a expor o seu corpo

como escravos

ao capital de cada dia.

Nom te ouviam, atarefados eles

na poja das suas vidas.

nom podiam.

 

Como um anjo negro

alancava o silêncio polas ruas

e nos teus olhos fechava

o pranto dos despossuidos.

O lume de agosto chovia em carambos

como umha despedida de foguetes brancos

Já te acolhia o portal da casa popular,

a porta feminina que te protegia.

A noite bradou sob as pistolas assassinas.

 

Marinheiros navegavam longe

o furacám e a onda.

Nom viria o peixe pola amanecida.

 

A cidade, José Ramom Reboiras,

estremeceu com o eco dos disparos

que iluminárom

o trágico portal

no que cai-ches.

 

Ouh, caravel ensanguentado

Ouh Castelao, ouh Roi Xordo, os de Nebra e Sofam …

encolhidos no silêncio da ruina.

Ouh Ferrol, Ferrol,

Remo e martelo e zafra,

Sangue derramado de

Amador e Daniel,

Ainda onte,

onte

 

Nos campos verdes da Galiza

coilhetaremos amanhá

os vermelhos caraveis

de um novo tempo de fachenda

e valentia.

 

A estrela verelha guarda a tua Galiza,

meu capitám,

capitám dos Irmandinhos de hoje,

e cintila potente e cegadora

espaldando o seu lume de

LIBERTAÇOM

por todos os currunchos desta Pátria Nova e Popular

que seguimos a luir com conviçom.

Pensando em ti.

Pensando em ti.

 

[1] Moncho Reboiras. O nacionalismo galego nos anos 70, Fundaciçon Bautista Ávarez de Estudos Nacionalistas, Compostela 2009.

[2] Poema de Xosé Luís Méndez Ferrim do Livro Com pólvora e magnólias publicado em 1976.

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