[Gal/Cast] "A máxima Comunismo ou Caos deve guiar o acionar da esquerda revolucionária galega"
Entrevista de Contrapoder a Primeira Linha. "La máxima comunismo o caos debe guiar el accionar de la izquierda revolucionaria galega"
Galego
Reproduzimos entrevista que a revista digital marxista e soberanista galega contrapoder.info realizou a Primeira Linha no quadro do especial “Outubro em novembro” dedicado a analisar a Revoluçom Bolchevique no 96 aniversário da sua vitória.
7 de novembro cumprem-se 96 anos da Revoluçom de Outubro que déu origem à primeira experiência de um Estado operário estendida no tempo. Que significa esta data para vós como organizaçom? Marcou a Revoluçom de Outubro a história da humanidade tam decisivamente como se tem dito?
Sem dúvida foi assim e a sua implosom final em 1991 demonstrou-no, ao servir para acelerar até hoje a demoliçom em cascata das grandes conquistas da classe operária em todo o mundo. A existência da URSS e do chamado campo socialista, com todos os seus problemas e imperfeiçons, significou até o final umha garantia para a defesa dessas conquistas. A grande ofensiva reacionária que hoje mesmo continuamos a sofrer é em boa medida possível graças ao desaparecimento quase total do legado da Revoluçom de Outubro e do poderoso Estado operário que o Partido Bolchevique construiu.
Que respondendes aos que hoje dim que a classe obreira nom existe e que a concepçom social em base à classe deve ser ultrapassada?
A luita de classes continua a ser o motor da história e os ataques que a classe dirigente está a dirigir contra a maioria social, contra o povo trabalhador e contra a própria classe operária som a melhor prova disso. As transformaçons no modo de produçom capitalista na atual fase nom significam nem a diminuiçom nem a dissoluçom da importáncia da classe operária. Apesar da sua desfavorável posiçom atual, em parte derivada da derrota da URSS e do seu legado, o proletariado continua a ser o único ator social capaz de derrotar a burguesia e liderar a construçom de um novo sistema, mais justo e avançado: o socialismo.
A revoluçom, como processo, continua estando vigente ou esmoreceu após a queda da URSS? Deve caminhar face a ela a classe obreira atual?
Como indicamos, as mudanças na atual fase imperialista do capitalismo senil, marcada pola financeirizaçom da economia e por umha multicrise sistémica sem saída por esgotamento dos próprios recursos do planeta, criárom um panorama novo que pode conduzir para a autodestruiçom, através de um fascismo e de um belicismo com conseqüências ainda mais graves das que vivemos no século XX.
Nessa perspetiva, a revoluçom, entendida como derrota histórica do capitalismo enquanto modo de produçom para a sua substituiçom por um novo e verdadeiramente progressivo, é hoje umha necessidade maior do que nunca foi. Cabe à classe operária recuperar a sua subjetividade como classe dirigente e situar-se à cabeça desse processo.
Porém, vigência nom significa determinismo. Só umha luita consciente e inteligente que aproveite a crise total para a qual caminhamos poderá tornar realidade a vitória final da nossa classe. Umha das conseqüências da atual crise capitalista no plano ideológico é que o dilema Reforma-Revoluçom ganha máxima vigência e atualidade. A brutal ofensiva burguesa contra a maioria social, com destaque contra a juventude, mulheres e pensionistas, tem contribuído para rearmar a esquerda revolucionária, ressituando no debate dos movimentos sociais, do sindicalismo coerente, das pessoas que se somam à luita contra as políticas ultraliberais dos governos espanhóis e autonómicos, a necessidade de construir umha alternativa socialista. A máxima luxemburguiana de Socialismo ou Barbárie está superada pola brutal, cruel e feroz fase neoliberal do capitalismo. A sua atualizaçom na forma de Comunismo ou Caos deve guiar o acionar da esquerda revolucionária galega.
La máxima luxemburguiana de Socialismo o Barbarie está superada por la brutal, cruel y feroz fase neoliberal del capitalismo. Su actualización en la forma de Comunismo o Caos debe guiar.
A palavra de ordem «paz e pam e terra», de que forma se concretiza hoje?
A paz continua a ser um anelo para os povos, na medida que a guerra é umha arma em poder do imperialismo para tentar alargar a sua influência através do espólio doutros povos e da utilizaçom do próprio povo como carne de canhom para a guerra imperialista.
Da mesma forma, a pobreza e a desigualdade som maiores do que nunca fôrom no planeta, com umha minoria mais rica e poderosa que é literalmente dona da imensa maioria dos recursos e espaços naturais do planeta.
A palavra de ordem de 1917 é hoje vigente e global, como a luita de classes e a necessidade de que as classes populares se convertam em donas do seu destino mediante a tomada do poder. Cada povo terá que encontrar a sua via para concretizar esses anelos universais, combinando o caminho próprio com umha nova aliança internacional das forças revolucionárias, sustentada no respeito pola soberania de cada processo, possibilitando assim a derrota total do capitalismo mundial.
Primeira Linha, sem descartar a luita eleitoral e institucional, considera que o parlamentarismo burguês nom deve ser mais que um secundário mecanismo tático para a acumulaçom de forças visada na tomada do poder. Deve evitar-se sempre convertê-lo num fetiche que gere falsas ilusons entre o nosso povo sobre as possibilidades de conquistar umha sociedade justa e igualitária, umha Pátria livre, e a plena emancipaçom das mulheres, mediante umha maioria aritmética parlamentar. A história da luita de classes está repleta de exemplos que avalizam esta tese, pois a burguesia nunca aceita um resultado eleitoral se for contrário aos seus interesses.
A paz, o pam e a terra só serám possíveis mediante um confronto com a burguesia, com os aparelhos coercitivos de dominaçom e repressom de Espanha. Um partido comunista tem que se construir com esse horizonte. Ser plenamente consciente que os objetivos da Revoluçom Socialista só poderám ser atingidos mediante a queda violenta da ordem social existente. A preparaçom em todos os ámbitos para disputar ao inimigo a hegemonia é um labor que o partido comunista combatente nom pode desatender nem desconsiderar.
As organizaçons comunistas debatem-se hoje entre a necessidade de dar umha resposta aos desafios do dia a dia e a necessidade de trascendé-los para preparar a queda do sistema capitalista. Há margem para fazer esse duplo trabalho?
Esse duplo trabalho estivo sempre na agenda das organizaçons revolucionárias. A perda da perspetiva global da derrota política da burguesia como objetivo final tem conduzido historicamente ao reformismo, ao crescimento do cancro do oportunismo que tem devorado e adulterado multidom de organizaçons revolucionárias, enquanto a falta de ligaçom com as luitas parciais e imediatas de tipo económico impede que as forças revolucionárias alcancem umha dimensom e influência de massas. Eis o grande desafio que todas enfrentamos, como antes o enfrentárom as que nos precedêrom na luita histórica pola superaçom do capitalismo.
Há que intervir sobre o concreto, desenvolver alternativas imediatas, dotar-se de um programa tático em permanente aperfeiçoamento, mas sempre ligado ao fio condutor e aglutinante da conquista do poder.
Respeito à burguesia que se desenvolve na Galiza, como definiriades o seu papel histórico? E que posiçom deveriam adotar frente a ela as forças revolucionárias?
A burguesia galega tem um caráter claramente subsidiário e vende-pátrias, tendo-se situado ao serviço da oligarquia espanhola e renunciando a apostar num projeto de construçom nacional. Só a ativaçom de um forte movimento de massas pola independência poderá fazer com que umha parte dessa burguesia poda reconsiderar os seus interesses num palco de confronto nacional Galiza-Espanha.
O papel dirigente nesse processo corresponde só à classe trabalhadora galega, em aliança com as restantes camadas populares. Se nom o figermos nós, ninguém o fará.
Tem pátria a classe obreira? Deve dotar-se de organizaçons próprias, nacionais?
É claro que a classe operária tem pátria, ou pode tê-la, na medida que consiga pegar nas rédeas da naçom e construi-la ao serviço dos seus interesses de classe. Quando a naçom é um instrumento em maos da burguesia e o povo trabalhador vive alienado e fora de qualquer capacidade de exercer o poder como segmento maioritário de umha dada formaçom social, aí é que podemos afirmar, com Marx, que “a classe operária nom tem pátria”. O objetivo das organizaçons revolucionárias deve ser precisamente tornar o povo trabalhador, com o proletariado à cabeça, em dono e dirigente da naçom. Isto é especialmente válido em contextos como o galego, em que a opressom nacional se apresenta como umha das formas e expressons da luita de classes. A luita anticapitalista exerce-se numha formaçom social concreta, nom em abstrato.
Só a auto-organizaçom do nosso povo trabalhador em organizaçons próprias do ponto de vista nacional e de classe pode garantir esse objetivo.
Numha naçom sem Estado próprio, como a nossa, que caraterísticas específicas tem a luita de classes? Existe contradiçom real entre o aspeto de classe e o aspeto nacional?
Numha naçom oprimida como a Galiza, a luita de classes adota a forma de luita de libertaçom nacional. Qualquer programa conseqüentemente ao serviço da maioria social tem que incorporar de forma transversal e permanente a recuperaçom da soberania nacional conculcada por Espanha. Nom é possível a emancipaçom da classe operária e do resto das camadas populares se carecemos de um Estado próprio. Nom se pode construir o Socialismo na Galiza sem conquistar a soberania e a independência nacional. Assim como sem Socialismo nom é possível atingir umha soberania plena e real. A equaçom Pátria Socialista é determinante no acionar d@s comunistas galeg@s organizad@s em Primeira Linha.
Equaçom na qual há que integrar o vector da plena emancipaçom da maioria do povo trabalhador, as mulheres.
A Revoluçom Galega, entendida como um processo histórico prolongado, ininterrupto e permanente deve conjugar dialeticamente estes três objetivos prioritários intrinsecamente interdependentes. Tal como definimos no nosso 5º Congresso, realizado em novembro de 2010, devemos empapar de vermelho comunista e lilás feminista o movimento de libertaçom nacional, mas também é tarefa das comunistas e dos comunistas galegos tingirmos de Pátria o movimento operário e as luitas pola emancipaçom da mulher.

A Revoluçom Galega tem três tarefas fundamentais interligadas: libertar a Pátria da opressom espanhola, da UE e do imperialismo ianque, dotando-a dum Estado plenamente livre e soberano onde o povo auto-organizado construa umha sociedade socialista sem classes nem desigualdades, emancipando mais da metade da força de trabalho -as mulheres-, da aliança simbiótica que o capitalismo mantém com o patriarcado. Umha Revoluçom socialista de libertaçom nacional e antipatriarcal.
Tivo a auto-organizaçom, no caso da Galiza, algumha conseqüência prática na luita de classes, política ou sindical?
Evidentemente que sim. A reconstruçom da esquerda nacional na metade da década de sessenta do século XX realiza-se sobre umhas novas bases que ligam a emancipaçom do nosso povo e da nossa classe com a capacidade de dotar-nos de ferramentas e instrumentos de decisom. Corresponde exclusivamente à classe operária galega decidir sem tutelagens nem ingerências externas a tática e a estratégia da luita. Somos um povo oprimido, daí que a auto-organizaçom obreira, popular e nacional seja condiçom sine qua non para podermos atingir este objetivo.
A esquerda nacionalista e basicamente a esquerda independentista e socialista galega tem demonstrado com umha coerente açom teórico-prática a importáncia de nos dotarmos de ferramentas de luita e combate próprias, sem estarem submetidas a centros de gravidade alheios a Galiza, nem condicionadas por interesses e ritmos alheios à nossa concreta e específica formaçom social.
As forças da esquerda espanhola que agem na Galiza, para além das autodefiniçons e etiquetas que empreguem, nom dam superado as limitaçons congénitas do sucursalismo que nega o exercício do direito de autodeterminaçom, contribuindo para perpetuar a opressom nacional do País e, portanto, para reforçar os mecanismos de exploraçom e dominaçom a que se vê submetido o povo trabalhaor galego por carecer de umha Pátria soberana.
A classe operária galega tem que auto-organizar-se em estruturas nacionais para poder atingir a sua emancipaçom, sem desconsiderar a procura de alianças no quadro do internacionalismo proletário, mas sem que estejam cingidas ao estreito espartilho do paradigma das fronteiras do Estado espanhol.
Nos últimos tempos fala-se muito sobre a necessidade ou nom de alianças dentro do campo da esquerda. Para o vosso partido, que condiçons se tenhem que dar para umha atuaçom unitária, e em que campo se materializaria?
Sempre fomos firmes defensores da unidade da classe tabalhadora e das camadas populares. A unidade na luita é essencial para frear agressons, garantir avanços e atingir vitórias. Porém, as alianças tenhem que se construir com base em programas, objetivos táticos e estratégicos, e nom derivam de abstraçons, boas intençons e idealismos.
O sucesso da fase ainda inicial do atual processo de unidade de açom da esquerda nacionalista e independentista galega só será possível se a viragem discursiva se concretizar com factos numha radical mudança na linha política do nacionalismo, incorporando umha prática coerente com o novo discurso. Para aprofundar nesta unidade, é necessário tecer alianças amplas com programas avançados, eis o cerne de qualquer unidade de açom entre as forças populares: programa avançado, prática coerente e vontade de avançar na mestiçagem sem renunciar aos princípios.
As unidades podem ser mui diversas, com visom poliédrica e geometricamente variável: desde unidades táticas e conjunturais -e portanto mui abertas e flexíveis- até unidades que nom descartem objetivos de caráter estratégico. Somos partidárias de todo o tipo de unidades, sempre que se baseiem num programa coerentemente transformador, com firmes princípios e que sirvam para acumular forças orientadas à conquista da independência, do socialismo e de umha Galiza feminista.
A classe obreira galega, as mulheres e a Pátria necessitam dotar-se de umha alternativa rupturista, afastada de revival oportunista e inofensivo. Pois, tal como manifestou o Che, se “tod@s fôssemos capazes de nos unir, para que os nossos golpes fossem mais sólidos e certeiros, que grande seria o futuro e que próximo”.

Castellano
Reproducimos la entrevista que la revista digital marxista y soberanista galega contrapoder.info realizó a Primeira Linha en el cuadro del espacial “Octubre en noviembre” dedicado a analizar la Revolución Bolchevique en el 96 aniversario de su victoria.
El 7 de noviembre se cumplen 96 años de la Revolución de Octubre que dio origen a la primera experiencia de un Estado obrero extensa en el tiempo. ¿Qué significa esta fecha para vosotros como organización? ¿Marcó la Revolución de Octubre la historia de la humanidad tan decisivamente como se ha dicho?
Sin duda fue así y su implosión final en 1991 lo ha demostrado, al servir para acelerar hasta hoy la demolición en cascada de las grandes conquistas de la clase obrera en todo el mundo. La existencia de la URSS y del llamado campo socialista, con todos sus problemas e imperfecciones, significó hasta el final una garantía para la defensa de esas conquistas. La gran ofensiva reaccionaria que hoy mismo continuamos sufriendo es en buena medida posible gracias a la desaparición casi total del legado de la Revolución de Octubre y del poderoso Estado obrero que el Partido Bolchevique construyó.
¿Que respondéis a los que hoy dicen que la clase obrera no existe y que la concepción social en base a clase debe ser sobrepasada?
La lucha de clases continúa siendo el motor de la historia y los ataques que la clase dirigente está dirigiendo contra la mayoría social, contra el pueblo trabajador y contra la propia clase obrera son la mejor prueba de eso. Las transformaciones en el modo de producción capitalista en la actual fase no significan ni la disminución ni la disolución de la importancia de la clase obrera. A pesar de su desfavorable posición actual, en parte derivada de la derrota de la URSS y de su legado, el proletariado continúa siendo el único actor social capaz de derrotar a la burguesía y liderar la construcción de un nuevo sistema, más justo y avanzado: el socialismo.

¿La revolución como proceso continúa estando vigente o desapareció después de la caída de la URSS? ¿Debe caminhar hacia ella la clase obrera actual?
Como indicamos, los cambios en la actual fase imperialista del capitalismo senil, marcada por la financierización de la economía y por una multicrisis sistémica sin salida por agotamiento de los propios recursos del planeta, crearon un panorama nuevo que puede conducir para la autodestrucción, a través de un fascismo y de un belicismo con consecuencias aún más graves de las que vivimos en el siglo XX.
En esa perspectiva, la revolución entendida como derrota histórica del capitalismo en tanto modo de producción para su sustitución por uno nuevo y verdaderamente progresivo, es hoy una necesidad mayor que nunca. Cabe a la clase obrera recuperar su subjetividad como clase dirigente y situarse a la cabeza de ese proceso. Sin embargo, la vigencia no significa determinismo.
Sólo una lucha consciente e inteligente que aproveche la crisis total hacia la que caminamos podrá hacer realidad la victoria final de nuestra clase. Una de las consecuencias de la actual crisis capitalista en el plano ideológico es que el dilema Reforma-Revolución gana máxima vigencia y actualidad. La brutal ofensiva burguesa contra la mayoría social sobre todo contra la juventud, mujeres y pensionistas, ha contribuido a rearmar a la izquierda revolucionaria, resituando en el debate dos movimientos sociales, del sindicalismo coherente de las personas que se suman a la lucha contra las políticas ultraliberales de los gobiernos españoles y autonómicos, la necesidad de construir una alternativa socialista.
¿La consigna «paz y pan y tierra» de que forma se concreta hoy?
La paz continúa siendo un anhelo para los pueblos, en la medida que la guerra es un arma en poder del imperialismo para intentar alargar su influencia a través del expolio de otros pueblos y de la utilización del propio pueblo como carne de cañón para la guerra imperialista.
De la misma forma, la pobreza y la desigualdad son mayores que nunca fueron en el planeta, con una minoría más rica y poderosa que es literalmente dueña de la inmensa mayoría de los recursos y espacios naturales del planeta.
La consigna de 1917 es hoy vigente y global, como la lucha de clases y la necesidad de que las clases populares se conviertan en dueñas de su destino mediante la toma del poder. Cada pueblo tendrá que encontrar su vía para concretar eses anhelos universales, combinando el camino propio con una nueva alianza internacional de las fuerzas revolucionarias, sustentada en el respeto por la soberanía de cada proceso posibilitando así la derrota total del capitalismo mundial.
Primeira Linha, sin descartar la lucha electoral e institucional, considera que el parlamentarismo burgués no debe ser más que un secundario mecanismo táctico para la acumulación de fuerzas basada en la toma del poder. Debe evitarse siempre convertirlo en un fetiche que genere falsas ilusiones entre nuestro pueblo sobre las posibilidades de conquistar una sociedad justa e igualitaria, una Patria libre, y la plena emancipación de las mujeres, mediante una mayoría aritmética parlamentaria. La historia de la lucha de clases está repleta de ejemplos que analizan esta tesis, pues la burguesía nunca acepta un resultado electoral si fuera contrario a sus intereses.
La paz, el pan y la tierra sólo serán posibles mediante un enfrentamiento con la burguesía con los aparatos coercitivos de dominación y represión de España. Un partido comunista tiene que construirse con ese horizonte. Ser plenamente consciente que los objetivos de la Revolución Socialista sólo podrán ser alcanzados mediante la caída violenta del orden social existente. La preparación en todos los ámbitos para disputar al enemigo la hegemonía es una labor que el partido comunista combatiente no pueden desatender ni desconsiderar.
¿Las organizaciones comunistas se debaten hoy entre la necesidad de dar una respuesta a los desafíos del día a día y la necesidad de trascenderlos para preparar la caída del sistema capitalista? ¿Hay margen para hacer ese doble trabajo?
Ese doble trabajo estuvo siempre en la agenda de las organizaciones revolucionarias. La pérdida de la perspectiva global de la derrota política de la burguesía como objetivo final ha conducido históricamente al reformismo, al crecimiento del cáncer del oportunismo que ha devorado y adulterado multitud de organizaciones revolucionarias, mientras la falta de vinculación con las luchas parciales e inmediatas de tipo económico impide que las fuerzas revolucionarias alcancen una dimensión e influencia de masas. He aquí el gran desafío que todos enfrentamos, como antes lo enfrentaron las que nos precedieron en la lucha histórica por la superación del capitalismo.
Es preciso intervenir sobre lo concreto, desarrollar alternativas inmediatas, dotarse de un programa táctico en permanente perfeccionamiento, pero siempre ligado al hilo conductor y aglutinante de la conquista del poder.
¿Respecto a la burguesía que se desarrolla en Galiza, como definiríais su papel histórico? ¿Y que posición deberían adoptar frente a ella las fuerzas revolucionarias?
La burguesía galega tiene un carácter claramente subsidiario y vende-patrias, habiéndose situado al servicio de la oligarquía española y renunciado a apostar por un proyecto de construcción nacional. Sólo la activación de un fuerte movimiento de masas por la independencia podrá hacer que una parte de esa burguesía pueda reconsiderar sus intereses en un palco de enfrentamiento nacional Galiza-España. El papel dirigente en ese proceso corresponde sólo a la clase trabajadora galega, en alianza con las restantes clases populares. Si no lo hiciéramos nosotras, nadie lo hará.
¿Tiene patria la clase obrera? ¿Debe dotarse de organizaciones propias, nacionales?
Cierto es que la clase obrera tiene patria, o puede tenerla, en la medida en que consiga coger las riendas de la nación y construirla al servicio de sus intereses de clase. Cuando la nación es un instrumento en manos de la burguesía y el pueblo trabajador vive alienado y fuera de cualquier capacidad de ejercer el poder como segmento mayoritario de una dada formación social, ahí es que podemos afirmar, con Marx, que “la clase obrera no tiene patria”. El objetivo de las organizaciones revolucionarias debe ser precisamente convertir al pueblo trabajador, con el proletariado a la cabeza, en dueño y dirigente de la nación. Esto es especialmente válido en contextos como el galego, en que la opresión nacional se presenta como una de las formas y expresiones de la lucha de clases. La lucha anticapitalista se ejerce en una formación social concreta, no en abstracto. Sólo la auto-organización de nuestro pueblo trabajador en organizaciones propias desde el punto de vista nacional y de clase puede garantizar ese objetivo.
¿En una nación sin Estado propio, como la nuestra, que características específicas tiene la lucha de clases? ¿Existe contradicción real entre el aspecto de clase y el aspecto nacional?
En una nación oprimida como Galiza, la lucha de clases adopta la forma de lucha de liberación nacional. Cualquier programa consecuentemente al servicio de la mayoría social tiene que incorporar de forma transversal y permanente la recuperación de la soberanía nacional conculcada por España. No es posible la emancipación de la clase obrera y del resto de las clases populares si carecemos de un Estado propio. No se puede construir el Socialismo en Galiza sin conquistar la soberanía y la independencia nacional. Así como sin Socialismo no es posible alcanzar una soberanía plena y real. La ecuación Patria Socialista es determinante en el accionar de l@s Comunist@s galeg@s organizad@s en Primeira Linha. Ecuación en la cual hay que integrar el vector de la plena emancipación de la mayoría del pueblo trabajador, las mujeres.
La Revolución Galega, entendida como un proceso histórico prolongado, ininterrumpido y permanente debe conjuugar dialécticamente estos tres objetivos prioritarios intrínsecamente interdependientes. Tal como definimos en nuestro 5º Congreso, realizado en noviembre de 2010, debemos empapar de rojo comunista y lila feminista el movimiento de liberación nacional, pero también es tarea de las y los comunistas galegos teñir de Patria el movimiento obrero y las luchas por la emancipación de la mujer.
La Revolución Galega tiene tres tareas fundamentales interligadas: liberar la Patria de la opresión española, de la UE y del imperialismo yanqui, dotándola de un Estado plenamente libre y soberano y donde el pueblo auto-organizado construya una sociedad socialista sin clases ni desigualdades, emancipando más de la mitad de la fuerza de trabajo -las mujeres-, de la alianza simbiótica que el capitalismo mantiene con el patriarcado. Una Revolución socialista de liberación nacional y antipatriarcal.
¿Tuvo la auto-organización, en el caso de Galiza, alguna consecuencia práctica en la lucha de clases, política o sindical?
Evidentemente que si. La reconstrucción de la izquierda nacional en la mitad de la década de los años sesenta del siglo XX se realiza sobre unas nuevas bases que ligan la emancipación de nuestro pueblo y de nuestra clase con la capacidad de dotarnos de herramientas e instrumentos de decisión. Corresponde exclusivamente a la clase obrera galega decidir sin tutelas ni ingerencias externas la táctica y la estrategia de la lucha. Somos un pueblo oprimido, de ahí que la auto-organización obrera, popular y nacional sea condición sine qua non para poder alcanzar este objetivo.
La izquierda nacionalista y básicamente la izquierda independentista y socialista galega ha demostrado con una coherente acción teórica-práctica la importancia de dotarnos de herramientas de lucha y combate propias, sin estar sometidas a centros de gravedad ajenos a Galiza, ni condicionados por intereses y ritmos ajenos a nuestra concreta y específica formación social.
Las fuerzas de izquierda española que actúan en Galiza, además de las autodefiniciones y etiquetas que empleen, no han superado las limitaciones congénitas del sucursalismo que niega el ejercicio del derecho de autodeterminación contribuyendo a perpetuar la opresión nacional del País y, por tanto, a reforzar los mecanismos de explotación y dominación a que se ve sometido el pueblo trabajador galego por carecer de una Patria soberana.
La clase obrera galega tiene que auto-organizarse en estructuras nacionales para poder alcanzar su emancipación sin desconsiderar la búsqueda de alianzas en el marco del internacionalismo proletario, pero sin que están ceñidas al estrecho mapa del paradigma de las fronteras del Estado español.
¿En los últimos tiempos se habla mucho sobre la necesidad o no de alianzas dentro del campo de la izquierda. Para vuestro partido, que condiciones se tienen que dar para una actuación unitaria y en que campo se materializarían?
Siempre fuimos firmes defensores de la unidad de la clase trabajadora y de las clases populares. La unidad en la lucha es esencial para frenar las agresiones, garantizar avances y alcanzar victorias. Sin embargo, las alianzas tienen que ser construidas con base en programas, objetivos tácticos y estratégicos, y no derivan de abstracciones, buenas intenciones e idealismos.
El éxito de la fase aún inicial del actual proceso de unidad de acción de la izquierda nacionalista e independentista galega sólo será posible si el cambio de rumbo discursivo se concreta con hechos en un radical cambio en la línea política del nacionalismo, incorporando una práctica coherente con el nuevo discurso. Para profundizar en esta unidad, es necesario tejer alianzas amplias con programas avanzados, he aquí el origen de cualquier unidad de acción entre las fuerzas populares: programa avanzado, práctica coherente, y voluntad de avanzar en el mestizaje sin renunciar a los principios.
Las unidades pueden ser muy diversas, con visión poliédrica y geométricamente variable: desde unidades tácticas y coyunturales -y por tanto muy abiertas y flexibles- hasta unidades que no descarten objetivos de carácter estratégico. Somos partidarias de todo tipo de unidades, siempre que se baseen en un programa coherentemente transformador, con firmes principios y que sirvan para acumular fuerzas orientadas a la conquista de la independencia, del socialismo y de una Galiza feminista.
La clase obrera galega, las mujeres y la Patria necesitan dotarse de una alternativa rupturista, apartada de revival oportunista e inofensivo. Pues, tal como manifestó el Che, si «todos fuésemos capaces de unirnos, para que nuestros golpes fuesen más sólidos y certeros, que grande serían el futuro y que próximo»








