[Gal/Cast] Causa Galiza abandona o Novo Projeto Comum

Galego
Causa Galiza anunciou hoje mesmo, um dia antes da Assembleia Constituinte do chamado Novo Projeto Comum (NPC), apelando a que "os setores de prática soberanista e independentista" também se desliguem.
Entre os argumentos apresentados por Causa Galiza no momento da sua rutura, destaca um com o qual NÓS-UP explicou, meses atrás, a sua negativa a participar: o NPC representa umha reediçom do BNG ou um BNG-bis.
Resta agora comprovar como se concretiza a proposta "unitária" de Causa Galiza para este Dia da Pátria, umha vez que só NÓS-Unidade Popular é a única organizaçom independentista que convocou umha manifestaçom independentista e as outras organizaçons soberanistas (MpB e FPG) fam parte do Novo Projeto Comum e seguramente participarám nos atos que essa organizaçom convoque.
Castellano
Causa Galiza anunció hoy mismo, un día antes de su asamblea constituyente el llamado Nuevo Proyecto Comun, apelando a que los sectores de práctica soberanista e independentista tambien se desliguen.
Entre los argumentos presentados por Causa Galiza en el momento de la ruptura, destaca al igual que explicó NOS-UP meses atras a su negativa a entrar que el Nuevo Proyecto Común representaba una reedición de BNG o un BNG-bis.
Resta ahora comprobar como se concretiza la propuesta unitaria de Causa Galiza para este día de la patria, una vez que sólo NOS-UP queda como única organización independentista que convocó una manifestacíon independentista y como otras organizaciones soberanistas (MpB y FPG) forman parte del NPC y seguramente participarán en los actos que esa organización convoque.

Nota de Causa Galiza en galego
O independentismo abandona o Novo Projecto Comum (NPC)
Desde o momento zero em que se produziu a cisom de Encontro Irmandinho do BNG em 12 de fevereiro, a iniciativa popular pola autodeterminaçom Causa Galiza aceitou publicamente o convite lançado por Xosé Manuel Beiras para construir umha frente ampla "sob parámetros nacionalistas e de esquerdas", que superasse a velha estratégia autonomista, abeirasse os vícios, esquizofrenias e métodos antidemocráticos tradicionalmente associados à política nacionalista e se erguesse democraticamente desde as bases implicadas na sua construçom. Esta aceitaçom do convite público de Xosé Manuel Beiras nom estivo isenta de incertezas e dúvidas, mas, desde o primeiro momento, Causa Galiza quijo apartar os prejuízos e a experiência historicamente acumulada para explorar a possibilidade anunciada, com generosidade e com o compromisso da nossa militáncia, porque estávamos e estamos cientes, por cima de interesses minifundistas e partidários, da necessidade dumha ampla acumulaçom de forças soberanistas e independentistas de esquerdas para fazer frente à gravíssima situaçom que se alvisca para a maioria social galega e para a naçom nos próximos tempos.
O processo iniciado em fevereiro saldou-se com aspectos positivos e negativos. Agora, com a experiência de cinco meses de trabalho desde dentro do processo constituinte, queremos assinalar uns e outros para fazer o balanço definitivo. Entre os primeiros, destacamos a caracterizaçom formal do NPC como um projecto independentista nos textos que irám à Assembleia Nacional Constituinte do 14 de julho. Esta caracterizaçom nominal evidencia, quando menos, no papel, umha vontade política de superar tabus e complexos historicamente enraizados no nacionalismo galego a respeito da proposta independentista e o reconhecimento explícito dum precepto básico para fazer política nacionalista na Galiza: nom existe via institucional ou estatutária que permita avançar face a soberania política. É necessário portanto superar o actual quadro jurídico-político imposto na Transición e definir a estratégia que o permita no novo ciclo histórico que se abre.
A respeito dos aspectos positivos da nossa participaçom no processo, queremos destacar também o contacto e alto nível de sintonia política encontrado com a militáncia de base do Encontro Irmandinho e com dezenas de nacionalistas em distintas comarcas do País,
que evidenciárom umha vontade clara de superaçom de velhos esquemas autonomistas, um patriotismo livre de qualquer dúvida e umha sincera vocaçom de fraternidade independentista.
Contodo, os aspectos negativos do processo constituinte figérom-se também evidentes, som a causa das decisons que exporemos a continuaçom e evidenciam o altíssimo nível de contradiçom existente entre discurso e praxe real que atenaça os dirigentes do Encontro Irmandinho, principal força motora do NPC:
1o O decurso do processo evidenciou a vigência sob novos formatos dos piores vícios e práticas que, curiosamente, se denunciavam até o cansaço em declaraçons mediáticas, reunions e documentos. O processo constituinte do NPC estivo totalmente condicionado por
urgências eleitorais que impossibilitárom a sereia reflexom estratégica que exige construir umha nova ferramenta política e umha nova estratégia neste País que esteja à altura das necessidades do nosso Povo. Mostra desta contradiçom entre as necessidades objectivas do
processo constituinte e as urgências eleitorais de determinados dirigentes som uns textos constituintes inçados de contradiçons, vaguidades, abstracçons e que, quando baixam à concreçom, delatam a nom-assunçom do horizonte soberanista recolhido nos documentos.
2o O sanedrim irmandinho, que substanciamos nas pessoas de Mario López Rico, Luís Eyré "Palheiro", Antonio Araúxo e Carlos Méixome, pilotou o processo desde arriba em todo momento, argalhando pactos na trastenda, evidenciando o abismo entre discursos "assemblearistas" e "horizontais" e a tradicional praxe dirigista, acelerando os ritmos em funçom de interesses de partido ou eleitoralistas e políticas de alianças que nom se formulárom com sinceridade e transparência, etc. Achamos lamentável que o alto nível de sintonia política percebido com as bases militantes do Encontro Irmandinho e com muit@s nacionalistas sem carné nas comarcas se frustrasse polos interesses e necessidades políticas de dirigentes que, mais umha vez, nom estám à altura do presente momento histórico. O último episódio desta sucessom de acontecimentos negativos é umha proposta de Coordenadora Nacional que o citado sanedrim elaborou desde arriba, sem nengumha garantia –nem sequer para debate-la- e, aliás, resultava completamente seitária. Esta proposta apresentou-se na comissom de listagens no dia 11 e supom a nossa exclusom prática do processo apesar de apostarmos nel contra vento e maré desde o momento zero.
3o Equivoca-se este reduzido sanedrim irmandinho se valoriza que poderá contar com a presença legitimadora do independentismo no NPC nestas condiçons inaceitáveis. É mais: se por algo se caracteriza historicamente o nosso humilde mas firme movimento é por ter-se curtido como proposta estratégica à intempérie, à margem de prevendas institucionais e partidaristas, livre das dinámicas de carreirismo político que afectam os partidos actuais, desde o trabalho voluntário e militante e sob a Espada de Damocles da repressom pendendo permanentemente sobre a sua militáncia. Nestas condiçons, acreditar que Causa Galiza ia assumir posiçons e alianças inassumíveis a cámbio de postos, mercadeios e prevendas é sintoma dumha candidez própria de quem desconhece os aliados com que trabalha.
4o É significativo que o processo constituinte iniciado em fevereiro recusasse resolver umha incógnita fundamental para a militáncia do NPC, como é a possibilidade de que exista umha aliança eleitoral e, incluso, político-organizativa, entre o NPC e Compromiso por Galicia. Embarcar milhares de pessoas na gestaçom dum projecto político novo quando se mantém umha ambigüidade calculada sobre um aspecto tam fulcral como este é, como mínimo, um sintoma claro de ocultismo e fraude à militáncia. Após semanas de participarmos na gestaçom do NPC, Causa Galiza tem a certeza de que o sanedrim irmandinho tem em perspectiva esta aliança com os sectores mais direitistas do chamado quintanismo: arribistas de última hora ao BNG que protagonizárom alguns dos episódios mais deleznáveis do bipartido PSOE-BNG, sectores oportunistas que constituírom nestas semanas partidos express com a perspectiva de participar em futuros repartos de poder e conseguir presença institucional para os seus dirigentes, elementos empresariais que garantem o financiamento das futuras campanhas eleitorais e agem como pontes que integrarám no futuro sectores cindidos do PP, etc. Obviamente, se esta é a política de alianças eleitorais e/ou político-organizativas que tem em perspectiva o NPC, vulnerando a sua caracterizaçom independentista formal, Causa Galiza nom tem espaço nesse projecto: a entente NPC-CxG é, da nossa óptica, a antítese do projecto amplo de liberaçom nacional e social que necessita a Galiza; submete, de novo, os objectivos estratégicos à táctica eleitoral e institucional e preanuncia a conformaçom de novos bipartidos ou tripartidos autonómicos para seguir a gerir da mao do PSOE umha administraçom autonómica impotente para defender os interesses da maioria social.
5o Consideramos que é um profundo erro estratégico a via da moderaçom política e ideológica, do pacto institucional com o PSOE para gerir esta autonomia anémica e esgotada, dos acordos políticos e eleitorais à procura de ganhar votos com a integraçom de sectores que ainda vegetam covardemente no autonomismo, da retórica sobre os "movimentos sociais" que à hora da verdade nom se traduz em militáncia quotidiana e combativa, etc. Se este é o caminho que pretende andar o NPC, num contexto de agudizaçom e tensionamento das contradiçons sociais, de aumento da repressom que salpica a cada sectores sociais mais amplos, de pauperizaçom da maioria social galega e de retorno à España Una, Grande y Libre prévio esvaziamento do cativo poder de gestom da actual administraçom autonómica galega, queremos deixar claro que este nom é o caminho de Causa Galiza. Reeditar um BNG Bis ou, incluso pior, umha Coalición Galega Bis, nom é o projecto que hoje necessita Galiza nem a maioria social do País. Causa Galiza nom se embarcará na construçom dum projecto que, polas características apontadas, já se anuncia falido desde o nascimento.
6o Assim as cousas, valorizamos que o projecto em gestaçom e a Assembleia Nacional Constituinte de 14 de julho nom contam com as mínimas garantias democráticas exigíveis e perpetuam, infelizmente, o emprego de nefastos métodos que tradicionalmente minam desde dentro as organizaons e projectos nacionalistas galegos: ocultamento de dados, retirada de emendas sem consulta, nom permitir o trabalho das comissons acordando todo desde arriba, vocaçom de poder institucional à margem de qualquer critério estratégico, dirigismos, priorizaçom dos interesses de "partido" sobre os da Pátria, etc. À vista deste conjunto de elementos resenhados, e após constatar o abismo existente entre os cánticos à democracia, à participaçom e à horizontalidade e a praxe concreta dos dirigentes do NPC,
exprimimos a nossa completa indisposiçom para reeditar processos que se anunciam fracassados.
Resoluçons adoptadas por Causa Galiza a respeito do Novo Projecto Comum e o Dia da Pátria
1a Causa Galiza abandona por todas as razons expostas o processo constituinte do Novo Projecto Comum e situa-se à margem da Assembleia Nacional Constituinte de 14 de julho. Aliás, chama aos sectores de prática soberanista e independentista real a desligar-se do
processo em base às razons apontadas. A nossa posiçom sócio-política continua inamobivel à beira desses milhares de mulheres e homes bons "que sofrem longo umha história contada em outra língua" e padecem os efeitos dumha sinistra combinatória de capitalismo e dependência.
2a A frustraçom das expectativas depositadas inicialmente no processo constituinte dum Novo Projecto Comum que superasse a velha estratégia autonomista situa-nos, mais umha vez, com ilusons reforçadas, ante a necessidade de seguir acumulando forças soberanistas e independentistas e construir um amplo e plural projecto político para a liberaçom nacional e social da Galiza, um projecto imerso no dia após dia da mobilizaçom social, de praxe realmente ruturista com o existente e capaz de situar no centro da sua acçom sócio-política a reivindicaçom da soberania política e económica para o nosso país, como única alternativa real ante o actual cenário de pauperizaçom massiva, repressom social e espanholizaçom que se enquadra na grave crise sistémica agudizada pola dependência que padecemos como naçom.
3a Mantendo em pé a proposta lançada no passado 9 de junho para articular umha mobilizaçom unitária dos sectores soberanistas e independentistas, Causa Galiza chama a saír à rúa neste Dia da Pátria 2012, reivindicando sem ambigüidades o direito de autodeterminaçom da Galiza no caminho da independência nacional e do socialismo.
Esta é, da nossa óptica, a única proposta estratégica solvente que o nacionalismo galego pode apresentar à maioria social galega neste contexto de crise, empobrecimento maciço, agudizaçom das contradiçons sociais e esgotamento definitivo do modelo autonómico.
Viva Galiza ceive!
Denantes mortos que escravos
Na Terra, em 12 de julho de 2012







