[Gal/Cast] Charo Lopes, ativista independentista: "Fum julgada porque estava na rua"
Yo pienso que tenemos que normalizar nuestras vidas en la criminalidad, en la ilegalidad, en la precariedad…y en la felicidad, claro!
Galego
Falamos com a activista independentista condenada a um ano e nove meses de prisom por fazer parte dos protestos de 2009 no Morrazo contra a marbellización da nosa costa. Aquelas mobilizaçons foram multitudinarias. Houbo cargas policiais e dúzias de vizinhos e vizinhas imputadas.
Revoltava-se Teresa Moure no seu livro 'O natural é político' contra essa ideia de que defender a Terra é uma atitude própria de um romantismo exaltado e passado de moda, porque as pessoas, a estas alturas, não podemos renunciar ao progresso.
Em 2009 e canda milhares de pessoas, Charo Lopes rejeitou esse progresso nas ruas. Protestou contra o projecto do porto desportivo de Massó para defender a costa galega "da especulaçom". Porém, foi detida teve que sentar num lugar que ela própria define como "extranho e desconfortábel": o banco de acusadas.
Por que a iam julgar?
Por molestar. Para mim o sistema policial-judicial serve para nos explicar o que está bem e o que está mal.
Escrevem-no em uns papeis seus que chamam leis e, em base a isso, ameaçam-nos. Até chegam a queimar algumhas bruxas na praça, para que fique claro que som quem de o fazer.
Então, por que decidiu declarar-se culpada?
Porque, segundo valorou o avogado, era o melhor arranjo possível. O juizo é o seu jogo, as suas regras... até a sua linguagem! É umha situaçom completamente desigual cujo resultado é tam condicionante para a tua vida que te obriga a intentar jogar algumhas cartas. Participas sabendo de ínicio que é unha obra de teatro na que tes que estar; fai-se como que se reconhece o tribunal e disse o que mais compense.
Que provas tinham na sua contra?
A declaraçom da Guarda Civil. Di que me colheu no meio de distúrbios, com a cara cuberta, o qual judicialmente é agravante de disfraz, e umha mochila com umha garrafa de gasolina dentro. Presumivelmente teriam-me visto também atravessando dous contentores no meio da rua, prendendo-lhes lume e rebentando várias vidreiras do banco com umha barra de ferro.
Cada quem terá a sua estratégia para defender-se. Eu penso que é possível chegar ao mesmo cúmio desde distintos caminhos.
Mas o que considero evidente é que se em lugar de estar ali estivesse assinando umha petiçom de paralisaçom das obras em change.org ou botando pestes no facebook seguramente nom seria problema nengum, nem para o projeto de destruiçom de Massó nem para o sistema político. Fum julgada porque estava na rua.
Como lhe sentou isso de lhe ter que pagar uma indemnizaçom a um banco?
Que che parece? Que bochorno! Em fim... neste momento nom o vou pagar, se bem o Estado fica atento e à primeira cousa que atopem ao meu nome farám por cobrar-se. E a responsabilidade civil tarda 15 anos em prescrever, com o qual até os quarenta anos garanto que nom vou saír da precariedade.
Como foram as mobilizaçons em contra do porto desportivo de Massó naquela altura?
Os últimos bons anos da especulaçom costeira forom de importantes mobilizaçons populares e a resposta repressiva foi mui agressiva. Nada fóra do esperável. Mas a vizinhança reconheceu rápido os sipaios fora do coletivo, no lugar da indignidade e a vergonha; a mim fazia-me pensar nas históricas mobilizaçons das Encrovas, Jove ou Baldaio. Dúzias de vizinhas receberom golpes e imputaçons judiciais, há que lembrar que a luita pola defesa do Salgueirom foi longa e houvo pessoas defendendo a zona, manifestando-se e protestando de muitas formas durante muito tempo.
Neste momento o plano ali está parado, graças à oposiçom popular no momento do início do projeto e das obras, e agora também por causa da situaçom económica, evidentemente. Mas a desfeita da turistificaçom já deixou grandes estragos que ainda hoje som feridas abertas, especialmente nas Rias Baixas.
Mulheres galegas en defesa da nossa terra. Foi umha das legendas que pediram a sua livre absolución na rua.
Isso somos, nom? As mulheres ainda conservamos um vínculo importantissimo com a terra e com o mar. Reconhecemos e reconhecemo-nos nos ciclos da natureza...
Estamos historicamente ligadas ao agro, e à exploraçom das Rias.
Aliás o sector primário é o eixo da autosubsistência, fundamental e muito frequente até há bem pouco na Galiza. E também temos um vínculo forte através da saúde e o desfrute: ir à praia, fazer desporto, por exemplo eu practicava remo e isso úne muito ao mar. E, como di a cançom: quando se aprende a chorar por algo, também se aprende a defende-lo.
Mas também, neste caso de solidariedade, penso que há mais um vínculo que salientar: o das mulheres entre nós. A sororidade. Reconhecérmo-nos umhas nas outras. O feminismo é o posicionamento mais radical em quanto a propor rupturas com o actual estado de cousas, e também a iniciar a construçom de alternativas desde já.
Uma recente informaçom publicada pelo jornal da dereita espanhola ABC vincula organizaçons sociais e colectivos ecologistas com a "organización terrorista Resistencia Galega". Há interesse por criminalizar a acçom de qualquer colectivo em defesa do País?
[risas] Eu penso que temos que normalizar as nossas vidas na criminalidade, na ilegalidade, na precariedade... e na felicidade, claro! Opor-se à vontade aniquiladora do espanholismo, opor-se à apisonadora capitalista implica erguer umha barricada de resistência galega. Dá igual que seja em forma de autodefesa violenta, de comedor popular, de associaçom vizinhal, de auto-organizaçom da mocidade ou de refresco de cola. Para o esquema de leis e valores hegemónico é um crime.
Em qualquer caso, a respeito da criminalizaçom eu nom meteria muitos esforços em rebater-lhes nada, seja verdade ou mentira. Simplesmente em desacreditar o interlocutor. E falar desde um novo paradigma, próprio, com o nosso esquema de valores. Para mim a inocência ou culpabilidade que dictaminam os seus juizes ou os seus mass-media nom representa critério nengum. É importante criar a nossa própria legitimidade, a nossa justiça. E a nossa informaçom, por suposto.
Pela mensagem atirada desde interlocutor que quer desacreditar, você pagou réditos laborais.
Si. Naquela altura estava fazendo práticas como jornalista no semanário A Nosa Terra e, a raiz da minha detençom, fum despedida. Como se tratava dum contrato de práticas de formaçom, sem garantias nengumhas, largarom-me sem complicaçons.
Em parte também graças ao posicionamento da facultade ao lado da empresa. Fum despedida por um assunto claramente extra-laboral, extra-formativo, e vulnerando qualquer presunçom de inocência. Eu nom fora julgada, e a detençom nom supujera nengum incumprimento no desempenho do meu trabalho.
Foi umha actuaçom absolutamente parapolicial. Na altura da detençom apenas tivera repercusom nos meios oficiais, mais fora a policia quem falara com eles. Explicáron-mo todo, como se fora razoável e a única saída possível: que nom podiam estar ligados a esse tipo de pessoas conflitivas, que já tiveram problemas na altura do EGPGC, que se o Ministério de Interior já lhes dera aviso de nom dar cabida a essa gente...
Em fim, um esperpento. E um posicionamento que me deixou chocada e dorida, já que nom estava à espera de que de esse âmbito fora receber um golpe deste tipo.
É também uma das quatro imputadas por 'enaltecimento' pelo lipdub de Ginzo.
Si, também. Mais do mesmo, nom? Se calhar neste caso é ainda mais escandaloso polo tipo de delito. Imputam-nos por aparecer num vídeo musical mostrando fotos da gente que nos tenhem sequestrada... Para mais inri fotos de pessoas que nem julgadas forom.
Em que acha que acabará?
Aguardo que em nada. Porque entom já se abre a veda a todo vale.

Castellano
Charo Lopes, activista independentista: “Fui juzgada por estar en la calle”
Hablamos con la activista independentista condenada a un año y nueve meses de prisión por formar parte de las protestas del 2009 en el Morrazo contra la marbellización de nuestra costa. Aquellas movilizaciones fueron multitudinarias. Hubo cargas policiales y docenas de vecinos y vecinas imputadas.
Revela Teresa Moure en su libro: “Lo natural es político” contra esta idea de que defender la Tierra es una actitud propia de un romanticismo exaltado y pasado de moda, porque las personas, a estas alturas, no podemos renunciar al progreso.
En el año 2009 y como miles de personas, Charo Lopes rechazó ese progreso en las calles. Protestó contra el proyecto del puerto deportivo de Massó para defender la costa galega “de la especulación”. Sin embargo, fue detenido y tuvo que sentarse en un lugar que ella misma define como “extraño y nada confortable”: el banquillo de las acusadas.
¿Por qué la juzgaron?
Por molestar. Para mi el sistema policial-judicial sirve para explicarnos lo que está bien y lo que está mal.
Lo escriben en unos papeles suyos que llaman leyes y, en base a eso, nos amenazan. Hasta llegan a quemar algunas brujas en la plaza, para que quede clara lo que pueden hacer.
¿Entonces, por qué decidió declararse culpable?
Porque, según valoró el abogado, era el mejor apaño posible. El juicio es su juego, sus reglas…hasta su lenguaje! Es una situación completamente desigual cuyo resultado es tan condicionante para tu vida que te obliga a intentar jugar algunas cartas. Participas sabiendo desde el inicio que es una obra de teatro en la que tienes que estar, pareciendo reconocer al tribunal y diciendo lo que más compense.
¿Qué pruebas tenían en su contra?
La declaración de la Guardia Civil. Dice que me cogió en el medio de los disturbios, con la cara cubierta, lo cual judicialmente es agravante de disfraz, y una mochila con una garrafa de gasolina dentro. Presumiblemente me habrían visto también atravesando dos contenedores en el medio de la calle, prendiéndoles fuego y reventando varias vidrieras del banco con una barra de hierro.
Cada quien tendrá su estrategia para defenderse. Yo pienso que es posible llegar a la cumbre desde distintos caminos.
Pero lo que considero evidente es que si en lugar de estar allí estuviese firmando una petición de paralización de las obras en change.org o echando pestes en el facebook seguramente no tendría ningún problema, ni para el proyecto de destrucción de Massó ni para el sistema político. Fui juzgada porque estaba en la calle.
¿Como le pareció eso de tener que pagar una indemnización a un banco?
Que te parece? Que bochorno! En fin… en este momento no voy a pagar, si bien el Estado queda atento y a la primera cosa que encuentren a mi nombre lo cobrarán. Y la responsabilidad civil tarda 15 años en prescribir, con lo que hasta los cuarenta años garantizo que no saldré de la precariedad.
¿Cómo fueron las movilizaciones en contra del puerto deportivo de Massó en aquel momento?
Los últimos buenos años de especulación costera fueron de importantes movilizaciones populares y la respuesta represiva fue muy agresiva. Nada fuera de lo que se esperaba. Pero las y los vecinos dejaron fuera del colectivo a los cipaios, en el lugar de la indignidad y la vergüenza; a mi me hacía pensar en las históricas movilizaciones de las Encrovas, Jove o Baldaio. Docenas de vecinas recibieron golpes e imputaciones judiciales, es preciso recordar que la lucha por la defensa del Salgueirón fue larga y hubo personas defendiendo la zona, manifestándose y protestando de muchas formas durante mucho tiempo.
En este momento el plano allí está parado, gracias a la oposición popular en el momento del inicio del proyecto y de las obras, y ahora también por causa de la situación económica, evidentemente. Pero la destrucción que provoca la turistificación ha dejado grandes destrozos que aún hoy son heridas abiertas, especialmente en las Rías Baixas.
Mulheres galegas en defensa de nuestra tierra. Fue una de las consignas que pidieron su libre absolución en la calle.
Eso somos, no? Las mujeres aún conservamos un vínculo importantísimo con la tierra y con el mar. Reconocemos y nos reconocemos en los ciclos de la naturaleza…Estamos históricamente ligadas al agro, y a la explotación de las Rías.
Además el sector primario es el eje de autosubsistencia, fundamental y muy frecuente hasta hace poco tiempo en Galiza. Y también tenemos un vínculo fuerte a través de la salud y el disfrute: ir a la playa, hacer deporte, por ejemplo yo practico remo y eso me une mucho al mar. Y, como dice la canción: Cuando se aprende a llorar por algo también se aprende a defenderlo.
Pero también, en este caso de solidaridad, pienso que hay un vínculo que subrayar, el de las mujeres entre nosotras. La sonoridad. Nos reconocemos unas en las otras. El feminismo es la postura más radical en cuanto proponemos rupturas con el actual estado de cosas, y al mismo tiempo a iniciar la construcción de alternativas desde ya.
Una reciente información publicada por el periódico de la derecha española ABC vincula organizaciones sociales y colectivos ecologistas con la “organización terrorista Resistencia Galega”. ¿Hay interés por criminalizar la acción de cualquier colectivo en defensa del país?
(Risas) Yo pienso que tenemos que normalizar nuestras vidas en la criminalidad, en la ilegalidad, en la precariedad…y en la felicidad, claro! Oponerse a la voluntad aniquiladora del españolismo, oponerse a la apisonadora capitalista implica levantar una barricada de resistencia galega. Da igual que sea en forma de autodefensa violenta, de comedor popular, de asociación vecinal, de auto-organización de la juventud o de refresco de cola. Para el esquema de leyes y valores hegemónico es un crimen.
En cualquier caso, al respecto de la criminalización, yo no me esforzaría mucho en rebatirles nada, sea verdad o mentira. Simplemente desacreditando al interlocutor. Y hablar desde un nuevo paradigma, propio, con nuestro esquema de valores. Para mi la inocencia o culpabilidad que dictaminan sus jueces o sus mass-media no representa criterio alguno. Es importante crear nuestra propia legitimidad, nuestra justicia. Es nuestra información, por supuesto.
Por el mensaje extraído desde le interlocutor que quiere desacreditar, usted pagó réditos laborales.
Si. En aquel momento estaba haciendo prácticas como periodista en el semanario A Nosa Terra y, a raíz de mi detención fui despedida. Como se trataba de un contrato en prácticas de formación, sin garantías algunas, me echaron sin complicaciones.
En parte también gracias a la postura de la facultad del lado de la empresa. Fui despedida por un asunto claramente extra-laboral, extra-formativo, y vulnerando cualquier presunción de inocencia. Yo no había sido juzgada, y la detención no había supuesto ningún incumplimiento en el desempeño de mi trabajo.
Fue una actuación absolutamente parapolicial. En el momento de la detención apenas tuvo repercusión en los medios oficiales, pero la policía había hablado con ellos. Me lo explicaron todo, como si fuera razonable y la única salida posible: que no podían estar vinculados a este tipo de personas conflictivas, que ya tuviera problemas en la época del EGPGC, que si el Ministerio de Interior ya les había dado aviso de no dar cabida a esta gente…
En fin, un esperpento. Es un posicionamiento que me dejó estupefacta y dolida, ya que no esperaba que de ese ámbito pudiera recibir un golpe de este tipo.
¿Eres también una de las cuatro imputadas por “enaltecimiento” por el lipdub de Ginzo.
Si, también. Más de lo mismo, no? Quizás en este caso es aún más escandaloso por el tipo de delito. Nos imputan por aparecer en un vídeo musical mostrando fotos de la gente que nos tienen secuestrada… Para más inri fotos de personas que ni han sido juzgadas.
¿En qué crees que acabará?
Espero que en nada. Porque sino se abriría la veda de todo vale.







