[Gal/Cast] Diario Liberdade entrevista movimento basco Herrira

Galego
Nota- Esta entrevista foi realizada antes de conceder-lhe a liberdade condicional a Iosu
Roberto Noval é membro do movimento, que “trabalha polos direitos de presas e presos políticos bascos”. O Diário Liberdade encontrou-se com ele no País Basco, em Bilbau. Apesar de umha agenda muito complexa, no meio do Aste Nagusia –festas populares da cidade nas que os movimentos sociais saem à rua e protagonizam diferentes atos, Noval encontrou um momento para atender a entrevista que lhe propugémos.
Herrira tem umha importante presença nestes últimos meses e, trabalhando com os direitos de presos e presas, foi inexcusável falar de um tema de atualidade como o de Iosu Uribetxeberria e a greve de fame. De fato, mais de 30 membros da própria Herrira somárom-se ao jejum de protesto.
Esta organizaçom conta apenas com cinco meses de existência, mas em realidade os seus e as suas ativistas venhem principalmente do histórico movimento pró-amnistia, segundo explica o próprio Noval.
A entrevista deu para abordar muitos mais temas sobre um País Basco que se dirige para um novo horizonte: o processo político em andamento, os passos adoptados polos Estados espanhol e francês e a ainda omnipresente repressom.
Diário Liberdade – Quem sodes e que é o que fazedes em Herrira?
Roberto Nogal - Herrira [à Terra, em euskera] é um coletivo que desde fai cinco meses trabalha polos direitos das presas e presos políticos bascos. O nosso quadro anterior é no movimento pola amnistia.
Nestes momentos focamo-nos em denunciar a situaçom daquelas pessoas gravemente doentes nos cárceres do Estado espanhol, mas o nosso objetivo final é que acabem por sair à rua, dado que o achamos completamente necessário para que o processo político de resoluçom aberto no nosso país poda avançar.
DL – Esse processo político vem marcado, entre outras cousas, polo abandono da luita armada por parte de Euskadi Ta Askatasuna [ETA, significa País Basco e Liberdade]. O Estado espanhol justificava com a atividade de ETA a sua repressom aos movimentos sociais, políticos, independentistas... no País Basco. Agora está a afrouxar, consoante a esse novo cenário?
RN – Eu nom me atreveria a dizer que generalizadamente haja menor intensidade na repressom espanhola. No entanto, é verdade que a maneira de aplicá-la mudou nos últimos meses e até se suavizou, de determinada maneira. Sobretudo em relaçom a organizaçons que, ilegalizadas polo Estado espanhol desde fai anos e apesar de continuarem ilegalizadas, vem reduzida a pressom que sofrem.
Por outro lado, nom há nengumha mudança substancial na situaçom que vivem os presos e as presas. Continua a dispersom e o afastamento destas dos seus domicílios, e mais: nas últimas semanas fôrom afastados várias.
Num momento no que a sociedade basca quer que se deem passos na resoluçom da situaçom das pessoas presas, estám a acontecer casos como o de Iousu Uribetxeberria, um preso com um cancro terminal e em greve de fame que continua na cadeia apesar de que existe a possibilidade de enviá-lo à sua casa, para que poda receber os cuidados adequados e ter um final de vida digno.
Mesmo o Tribunal de Direitos Humanos Estrasburgo acaba de dar a razom à presa navarra Inés del Río, a respeito da aplicaçom da ‘Doutrina Parot’ polo Estado espanhol para possibilitar o alargamento de condenas além do estipulado nas sentenças, o nem assim o Estado espanhol lhe dá a liberdade. Há neste momento 68 presos e presas com a condena cumprida que deveriam estar em liberdade, mas o Estado espanhol nom está a dar nengum passo positivo.
DL – No dia em que estamos a realizar esta entrevista [25/08/2012] vem de haver várias detençons numha manifestaçom pacífica de apoio às presas e presos em Bilbau, que inicialmente foi mesmo proibida, apesar do final da atividade armada.
RN – É... Compreendemos que um elefante como o Estado espanhol nom pode mudar radicalmente em poucos meses, mas isso nom é pretexto para que os direitos dos cidadáns e cidadás bascas nom sejam respeitados, como é o caso do direito de reuniom e manifestaçom. Esta mesma manhá houvo seis pessoas detidas por um ato pacífico de desobediência civil. Como este, existem muitos exemplos de que a repressom continua.
DL – Pensas que a continuidade de todas estas medidas responde também ao medo dos estados espanhol e francês a enfrentar o problema sem violência de nengumha das partes?
RN – Na nossa opiniom o Estado estivo muito confortável na situaçom dos últimos anos. Nela, era muito mais fácil aplicar a violência do que perante organizaçons e coletivos sociais pacíficos.
Agora, o Estado espanhol está se sentindo muito mais débil. Quer criar divisom e contradiçons e em nengum caso quer atingir umha situaçom de democracia na qual a cidadania basca tenha direito a decidir sobre o seu futuro, que é a questom realmente importante neste país.
O Estado nom gostaria de umha situaçom na que se defendessem todos os projetos políticos em igualdade de condiçons, porque assim é muito mais débil do que o desejo de muitos milhares de pessoas com desejo de decidirem por si próprias.
Mas essa atitude vemo-la também perante os problemas sociais, laborais, etc. ... Um problema análogo às atuaçons coercitivas e repressivas do patronato ou a polícia numha greve, por exemplo.
DL – Poderia essa atitude conduzir a umha situaçom que, no longo prazo, coloque o processo em risco de retrocesso?
RN – Duvido muitíssimo que haja qualquer risco de retrocesso. A decisom tomada por parte do conflito basco é unilateral. Nom se propom umha chantagem para obter em troca direitos outorgados polo Estado espanhol.
Há um significado profundo da decisom: o que se propom é conseguir os mesmos objetivos polos que antes se luitava, mas por outro tipo de meios. Os direitos ganham-se, e para ganha-los há que luitar, tal como nós luitamos sempre por meios pacíficos, desobediência, etc. ...
O Estado espanhol é muitíssimo mais débil numha situaçom sem violência.
DL – Nesse sentido, pensas que o abandono da açom armada por parte das e dos atores neste conflito vai trazer umha maior adesom social à vontade de resolvé-lo?
RN – De fato, isso já acontece. Parte da sociedade que até agora nom estava implicada na resoluçom do conflito está a reativar-se.
A mobilizaçom de 7 de janeiro passado em Bilbau, reclamando os direitos das presas e os presos políticos bascos e a sua repatriaçom, foi um ponto de inflexom, pois foi o maior e mais concorrido protesto dos últimos anos no País Basco.
Sabemos que isso tem umha relaçom direta com a decisom da organizaçom ETA de abandonar a luita armada para contribuir à soluçom do conflito de acordo com a vontade da maioria social deste país.
Viu-se qual é essa vontade nas eleiçons, nas quais o setor ideologicamente mais próximo de umha determinada parte do conflito [Nota do DL: refere-se à esquerda independentista basca, que concorreu em Bildu] tivo multiplicada a sua força eleitoral. E isso também está a se ver a cada dia nas mobilizaçons.
Isso tudo é que vai fazer que o Estado espanhol tenha que dar passos, porque o que verificamos é que mesmo a nível internacional o Estado espanhol perde a cada dia mais respeito.
DL – Como se contextualiza o conflito e o movimento independentista basco num momento de crise capitalista como o que vivemos?
RN – Estamos a falar de um conflito de classe. José Miguel Beñarán “Argala”, um dos grandes ideólogos que tivemos, dijo que “o que nos une –referindo-se, na sua época histórica, às pessoas imigrantes a meados dos anos 60 e 70 no País Basco- nom é pertencer a umha mesma naçom, mas sim a umha mesma classe”.
No Movimento de Liberaçom Nacional Basco (MLNB) a libertaçom nacional vai unida à libertaçom social, e nom é possível a umha sem a outra. Isso está teorizado já fai muitas décadas. Nom queremos um país para converti-lo num novo estado capitalista. Cremos numha sociedade justa para todos e todas, que respeite as pessoas, que divida a riqueza...
Essa é a máxima do MLNB, e é por isso que tem conseguido tanta adesom popular ao longo desses anos.
Iosu Uribetxeberria e a greve de fame do Coletivo de Presos e Presas Políticas Bascas
DL – Vem de haver umha greve de fame massiva e muito mediática, com a participaçom de centos de presos e presas, em defesa da dignidade de Uribetxeberria. O Coletivo de Presos e Presas Políticas Bascas protagonizou muitas mobilizaçons. Mas, algumha tam massiva como esta?
RN – Iousu Uribetxeberria continua em prisom em vez de na sua casa, onde deveria estar para receber o tratamento adequado. Este preso tivo que pôr-se em greve de fame por duas semanas para ter direito a umha assistência e um final de vida digno, e apesar disso continua no cárcere.
Se bem é certo que ao longo da sua história o Coletivo de Presos e Presas Políticas Bascas tivo que empreender luitas extremas –como é umha greve de fame- de muitíssima importáncia, o protesto destas semanas foi um dos pontos álgidos da luita do Coletivo de Presos e Presas Políticas Bascas nos últimos anos.
Por outro lado, a própria situaçom fai que todos e todas queiramos ativar-nos e participar na soluçom do conflito.
DL – Esse protesto tivo um forte protagonismo nos meios do sistema –embora distorcido e intoxicado. Contudo, a opçom costuma ser diretamente o silenciamento.
RN – A inabitual atençom mediática provavelmente tenha relaçom com a crise económica. Ao sistema vem-lhe bem falar do tema de Uribetxebarria precisamente no momento em que o Estado espanhol está prestes a ser “resgatado” pola Uniom Europeia, para assim esconder a realidade de centos de milhares de pessoas numha situaçom limite.
Além do mais, o conflito político basco sempre foi usado para criar um inimigo comum interior. Isso ajuda-lhes a unir o Estado espanhol.
É assim que assuntos como o de Iñaki de Juana Chaos, no passado, ou o de Iosu Uribetxeberria nestes dias tenhem umha presença mediática cujo objetivo nom é dar umha informaçom veraz do que acontece mas sim as duas que comentámos.
Para terminar, podemos adicionar umha terceira razom: o caminho para o final do conflito político basco vem de receber um apoio internacional público muito grande na Conferência de Aiete [Nota do DL: com a participaçom de Jonathan Powell, Pierre Joxe, Kofi Annan, Gro Harlem Brundtland, Bertie Ahern e Gerry Adams, além de agentes políticos, sindicais e sociais bascos], e podemos entrar numha fase resolutiva nos próximos meses ou anos, se o Estado espanhol tem verdadeira vontade. Isso gera também um interesse mediático.
DL – Parte de Euskal Herria se encontra sob administraçom do Estado francês, o qual às vezes se tende a esquecer. Qual é a situaçom nessa parte do território basco? Há algum passo?
RN – O Estado francês, sob cujo domínio há três províncias bascas, sempre tentou negar o assunto, como se eles nom tivessem qualquer problema e este correspondesse em exclusivo ao Estado espanhol. Assim, nessa matéria limitou-se a seguir e apoiar as políticas ditadas polo este último, num sentido muito negativo na hora de procurar soluçom ao conflito.
Também lá se aplica a dispersom, havendo presos e presas a distáncias ainda maiores do que no Estado espanhol, de até 1.500 km. Há muitas pessoas nas prisons das redondezas de Paris, com as condiçons terríveis que isso supom para pessoas presas e para familiares.
DL – Em Herrira tentades testemunhar quais som as consequências das medidas contrárias aos Direitos Humanos que se aplicam a presos e presas políticas bascas. Que efeitos reais e concretos há sobre as famílias, amizades...?
RN - Som uns efeitos verdadeiramente terríveis. Estamos a falar de pessoas que levam mais de 25 anos na prisom, e cujos familiares tenhem que percorrer distáncias superiores aos 1.000 a cada fim de semana, graças ao afastamento de presos e pesas dos seus domicílios.
Isso supom, além de consequências económicas, um risco para a sua vida. As possibilidades de sofrer acidentes aumentam muitíssimo com viagens tam longas e frequentes. Nom é o mesmo ir de metro a Basauri –prisom de Bilbau- que viajar de carro 900 km a Paris duas vezes por mês, muitas vezes sós, com tempo ruim...
Um familiar de preso/a médio que figésse visitas durante 20 anos faria umha viagem de ida e volta à lua, segundo os nossos cálculos.
DL – Há uns dias correu o rumor nos meios do sistema de que o governo espanhol ia facilitar o achegamento de presas e presos ao território basco. A que respondem essas informaçons que se deixam agromar?
RN – Nós achamos que, principalmente, ao desejo de tirar força às mobilizaçons das últimas semanas aparecidas arredor do caso de Iosu Uribetxeberria.
Mas umha cousa som as declaraçons do Ministro do Interior espanhol e outra a realidade: o único que vemos é que há presos a 1.200 km do seu domicílio, com o que isso implica nas visitas para as suas famílias, pares, amigas e amigos...
Mais tarde ou mais cedo, terá que haver passos para o achegamento dos presos e as presas ao País Basco, tal como está a pedir a maior parte da sociedade basca neste momento. Há oito meses houvo cá em Bilbau umha mobilizaçom de mais de 100.000 pessoas num país com apenas 3.000.000 de habitantes para exigir precisamente isso.
Castellano
Nota- Esta entrevista ha sido realizada antes de concederle la libertad condicional a Iosu
Roberto Noval es miembro del movimiento que “trabaja por los derechos de presas y presos políticos bascos”. Diario Liberdade se encontró con él en el País Vasco, en Bilbao. A pesar de una agente muito complicada, en medio del Aste Nagusia –fiestas populares de la ciudad en las que los movimientos sociales salen a la calle y protagonizan diferentes actos, Noval encontró un momento para atender la entrevista que le propusimos.
Herrira tiene una importante presencia en estes últimos meses y, trabajando con los derechos de presos y presas, fue inexcusable hablar de un tema de actualidad como el de Iosu Uribetxeberria y la huelga de hambre. De hecho, más de 30 miembros de la propia Herria se sumaron hoy al ayuno de protesta.
Esta organización cuenta apenas con cinco meses de existencia, pero en realidad sus activistas vienen principalmente del histórico movimiento pro-amnistía, según explicia el propio Noval.
La entrevista abordó además otros temas, entre ellos, el nuevo horizonte hacia el que se dirige el País Vasco: el proceso político en camino, los pasos adoptados por los Estados español y francés y la aún omnipresente represión.
Diário Liberdade – Quién sois y que es lo que hacéis en Herrira?
Roberto Nogal – Herrira ( a la Tierra, en Euskera) es un colectivo que desde hace cinco meses trabaja por los derechos de las presas y presos políticos vascos. Nuestro cuadro anterior es en el movimiento por la amnistía.
En estes momentos nos centramos en denunciar la situación de aquellas personas gravemente enfermas en las cárceles del Estado español, pero nuestro objetivo final es que, por fin, salgan a la calle, dado que creemos, de todo, necesario para que el proceso político de resolución abierto en nuestro país pueda avanzar.
DL – Ese proceso político viene marcado, entre otras cosas, por el abandono de la lucha armada por parte de Euskadi Ta Askatasuna (ETA, significa País Basco y Libertad). El Estado español justificaba con la actividad de ETA su represión a los movimientos sociales, políticos, independentistas… en el País Vasco. ¿Ahora está aflojando, en consonancia con este nuevo escenario?
RN - Yo no me atrevería a decir que, a nivel general, haya menor intensidad en la represión española. Sin embargo, es verdad que, la manera de aplicarla se ha modificado en los últimos meses y hasta suavizado, de determinada manera. Sobre todo, en relación a las organizaciones que, ilegalizadas por el Estado español desde hace años y a pesar de continuar ilegalizadas, ven reducida la presión que sufren.
Por otro lado, no hay ningún cambio sustancial en la situación que viven los presos y presas. Continúa la dispersión y el alejamiento de estas de sus domicilios, y más: en las últimas semanas fueron varias las alejadas.
En un momento en que la sociedad vasca quiere que se den pasos en la resolución de la situación de las personas presas, se suceden casos como el de Iosu Uribetxeberria, un preso con un cáncer terminal y en huelga de hambre que continúa en la cárcel a pesar de que existe la posibilidad de enviarlo a su casa, para que pueda recibir los cuidados adecuados y tener un final de vida digno.
Incluso el Tribunal de Derechos Humanos de Estrasburgo acaba de dar la razón a la presa navarra Inés del Río, al respecto de la aplicación de la “Doctrina Parot” por el Estado español para posibilitar el alargamiento de condenas más allá de lo estipulado en las sentencias, y ni así, el Estado español le da la libertad. Hay en este momento 68 presos y presas con la condena cumplida que deberían estar en libertad, pero el Estado español no está dando ningún paso positivo.
DL – En el mismo día en que estamos realizando esta entrevista (25/08/2012) ha habido varias detenciones en una manifestación pacífica de apoyo a las presas y presos en Bilbao, que inicialmente fue incluso prohibida, a pesar del final de la actividad armada.
RN – Es…Comprendemos que un elefante como el Estado español no puede cambiar radicalmente en pocos meses, pero eso no es pretexto para que los derechos de los ciudadanas y ciudadanos vascos no sean respetados, como es el caso del derecho de reunión y manifestación. Esta misma mañana hubo seis personas detenidas por un acto pacífico de desobediencia civil. Como este, existen muchos ejemplos de que la represión continúa.
DL – ¿ Piensas que la continuidad de todas estas medidas responde también al miedo de los estados español y francés a enfrentar el problema sin violencia de ninguna de las partes ?
RN – En nuestra opinión el Estado estuvo muy confortable en la situación de los últimos años. En ella, era mucho más fácil aplicar la violencia que ante organizaciones y colectivos sociales pacíficos.
Ahora, el Estado español se está sintiendo mucho más débil. Quiere crear divisiones y contradicciones y en ningún caso quiere conseguir una situación de democracia en la cual la ciudadanía vasca tenga derecho a decidir sobre su futuro, que es la cuestión realmente importante en este país.
Al Estado no le gustaría una situación en la que se defendiesen todos los proyectos políticos en igualdad de condiciones, porque así es mucho más débil que el deseo de muchos miles de personas con deseo de decidir por sí mismas.
Pero esta actitud la vemos también ante los problemas sociales, laborales, etc…Un problema análogo a las actuaciones coercitivas y represivas de los patrones o la policía en una huelga, por ejemplo.
DL – ¿ Podría esa actitud conducir a una situación que, a largo plazo, coloque el proceso en riesgo de retroceso ?
RN – Dudo muchísimo que haya cualquier riesgo de retroceso. La decisión tomada por parte del conflicto vasco es unilateral. No se propone un chantaje para obtener a cambio derechos otorgados por el Estado español.
Hay un significado profundo en la decisión: lo que se propone es conseguir los mismos objetivos por los que antes se luchaba, pero por otro tipo de medios. Los derechos se ganan, y para ganarlos es preciso luchar, tal como nosotros luchamos siempre por medios pacíficos, desobediencia, etc…
El Estado español es muchísimo más débil en una situación sin violencia.
DL. – ¿ En este sentido, piensas que el abandono de la accióna rmada por parte de las y de los actores en este conflicto traerá una mayor adhesión social a la voluntad de resolverlo ?
RN – De hecho, eso ya está sucediendo. Parte de la sociedad que hasta ahora no estaba implicada en la resolución del conflicto está reactivándose.
La movilización del 7 de enero pasado en Bilbao, reclamando los derechos de las presas y presos políticos vascos y su repatriación, fue un punto de inflexión, ya que fue la mayor y más concurrida protesta de los últimos años en el País Vasco.
Sabemos que eso tiene una relación directa con la decisión de la organización ETA de abandonar la lucha armada para contribuir a la solución del conflicto de acuerdo con la voluntad de la mayoría social de este país.
Se ha visto cuál es esa voluntad en las elecciones, en las cuales el sector ideológicamente más próximo de una determinada parte del conflicto ( Nota del DL: se refiere a la izquierda independentista basca, que concurrió en Bildu) multiplicó su fuerza electoral. Y eso también se aprecia día a día en las movilizaciones.
Todo eso hará que el Estado español tenga que dar pasos, porque lo que verificamos es que incluso a nivel internacional el Estado español pierde día a día más respeto.
DL – Como se contextualiza el conflicto y el movimiento independentista basco en un momento de crisis capitalista como el que vivimos?
RN – Estamos hablando de un conflicto de clase. José Miguel Beñarán “Argala”, uno de los grandes ideólogos que tuvimos, dijo que “lo que nos une –refiriéndose, en su época histórica, a las personas inmigrantes a mediados de los años 60 y 70 en el País Vasco –no es pertenecer a una misma nación, pero si a una misma clase”.
En el Movimiento de Liberación Nacional Basco (MLNB) la liberación nacional va unida a la liberación social, y no es posible una sin la otra. Esto está teorizado ya hace muchas décadas. No queremos un país para convertirlo en un nuevo estado capitalista. Creemos en una sociedad justa para todos y todas, que respete a las persona, que divida la riqueza…
Esta es la máxima del MLNB, y es por eso que consiguió tanta adhesión popular a lo largo de esos años.
Iosu Uribetxeberria y la huelga de hambre del Colectivo de Presos y Presas Políticas Vascas
DL – Acaba de haber una huelga de hambre masiva y muy mediática, con la participación de cientos de presos y presas, en defensa de la dignidad de Uribetxeberria. El Colectivo de Presos y Presas Políticas Vascas protagonizó muchas movilizaciones. Pero ¿ Alguna tan masiva como esta?
RN – Iosu Uribetxeberria continúa en prisión en vez de estar en su casa, donde debería estar para recibir el tratamiento adecuado. Este preso tuvo que ponerse en huelga de hambre por dos semanas para tener derecho a una asistencia y un final de vida digno, y a pesar de eso continúa en la cárcel.
Si bien es cierto que a lo largo de su historia el Colectivo de Presos y Presas Políticas Vascas tuvo que emprender luchas extremas –como es una huelga de hambre- de muchísima importancia, la protesta de estas semanas ha sido uno de los puntos álgidos de la lucha del Colectivo de Presos y Presas Políticas Vascas en los últimos años.
Por otro lado, la propia situación hace que todos y todas queramos activarnos y participar en la solución del conflicto.
DL – Esa protesta tuvo un fuerte protagonismo en los medios del sistema – aunque bastante distorsionado e intoxicado. Aún así, la opción, a menudo, suele ser directamente el silenciamiento.
RN –La inhabitual atención mediática probablemente tiene relación con la crisis económica. Al sistema le viene bien hablar del tema de Uribetxebarria precisamente en el momento en que el Estado español está próximo a ser “rescatado” por la Unión Europea, para así esconder la realidad de cientos de miles de personas en una situación límite.
Además, el conflicto político vasco siempre ha sido usado para crear un enemigo común interior. Esto les ayuda a unir el Estado español.
Es así que asuntos como el de Iñaki de Juana Chaos, en el pasado, o de Iosu Uribetxebarria en estes días tienen una presencia mediática cuyo objetivo no es dar una información veraz de lo que sucede, pero si, las dos que comentamos.
Para terminar, podemos adicionar una tercera razón: El camino para el final del conflicto político vasco acaba de recibir un apoyo internacional público muy grande en la Conferencia de Aiete (Nota del DL: con la participación de Jonathan Powell, Pierre Joxe, Kofi Annan, Gro Harlem Brundtland, Bertie Ahern e Gerry Adams, además de agentes políticos, sindicales y sociales bascos), y podemos entrar en una fase resolutiva en los próximos meses o años, si el Estado español tiene verdadera voluntad. Esto genera también interés mediático.
DL – Parte de Euskal Herria se encuentra bajo administración del Estado francés, lo cual, a veces se suele olvidar. ¿ Cuál es la situación en esa parte del territorio basco? ¿ Hay algún paso ?
RN – El Estado francés, bajo cuyo dominio hay tres provincias vascas, siempre intentó negar el asunto, como si ellos no tuviesen ningún problema y este sólo correspondiese en exclusiva al Estado español. Así, en esa materia se limitó a seguir y apoyar las políticas dictadas por este último, en un sentido muy negativo a la hora de buscar la solución al conflicto.
También allí se aplica la dispersión, habiendo presos y presas a distancias aún mayores que en el Estado español, de hasta 1.500 km. Hay muchas personas en las prisiones de los alrededores de París, en condiciones terribles, con lo que eso supone para las personas presas y presos y para sus familiares.
DL –En Herrira intentáis dar testimonio de cuáles son las consecuencias de las medidas contrarias a los Derechos Humanos que se aplican a los presos y presas políticas vascas. ¿ Qué efectos reales y concretos hay sobre las familias, amistades…?
RN – Son unos efectos verdaderamente terribles. Estamos hablando de personas que llevan más de 25 años en la prisión, y cuyos familiares tienen que recorrer distancias superiores a los 1.000 km cada fin de semana, gracias al alejamiento de presos y presas de sus domicilios.
Esto supone, además de consecuencias económicas, un riesgo para su vida. Las posibilidades de sufrir un accidente aumentan muchísimo con viajes tan largas y frecuentes. No es lo mismo ir en el metro a Basauri –prisión de Bilbao- que viajar en coche 900 km a París dos veces al mes, muchas veces solos, o con malas condiciones meteorológicas…
Un familiar de preso/a medio que hiciese vistas durante 20 años haría un viaje de ida y vuelta a la luna, sgún nuestros cálculos.
DL – Hace unos días corrió un rumor en los medios del sistema de que el gobierno español iba a facilitar el acercamiento de presos y presas al territorio basco. ¿ A que responden esas informaciones que se dejan entrever?
RN –Nosotros creemos que, principalmente, al deseo de sacar fuerza a las movilizaciones de las últimas semanas aparecidas alrededor del caso de Iosu Uribetxeberria.
Pero una cosa son las declaraciones del Ministro de Interior español y otra la realidad: lo único que vemos es que hay presos a 1.200 km de su domicilio, con lo que eso implica en las visitas para sus familias, parejas, amigas y amigos…
Más tarde o más temprano, tendrá que haber pasos para el acercamiento de los presos y las presas al País Vasco, tal como está pidiendo la mayor parte de la sociedad vasca en este momento. Hace ocho meses hubo aquí en Bilbao una movilización de más de 100.000 personas en un país con apenas 3.000.000 de habitantes para exigir precisamente eso.








