lahaine.org
Nacionales Galiza :: 12/08/2012

Pequena homenagem a Robert Kurz desde a Galiza

Galiza Livre
Pequeño homenaje a Robert Kurz desde Galiza

Com quase um mês de retraso inteiramo-nos da norte, no pasado 18 de julho, de Robert Kurz, o filósofo mais representativo da chamada “teoria crítica do valor”. Isto nom passaria de umha noticia de interesse académico, de nom ser porque há umha década o seu descobrimento, no seio do independentismo, tivo um efeito poderoso com consequências que fôrom além da palavra escrita. Constitui, aliás, um feliz caso de salto da portagem espanhola, ao chegar à Galiza através dos seus artigos traduzidos para a nossa língua no Brasil onde é um autor mui lido entre a esquerda radical, sendo colaborador habitual da Folha de São Paulo. No galizalivre.org publicamos muitos destes trabalhos, o último, curiosamente, continuava a acompanhar os passos do movimento galego: “Para além do mercado e do Estado. A transformação da economía através de um novo modo de produção cooperativo”; também as companheiras da Estaleiro Editora tirárom do prelo há três anos o Manifesto contra o trabalho, do grupo Krisis do que fazia parte.

Com Marx mas além de Marx

O cerne do trabalho teórico de Kurz foi o de superar as categorias de pensamento do capitalismo, nas que ficam pressas a maioria da esquerda -sobretudo a mais obreirista- partindo das achegas do Marx excomungando das vulgatas comunistas, o Marx dos Manuscritos económicos e filosóficos, que critica de raíz a sociedade da mercadoria.

Nado em Nuremberg em 1943, com a queda do muro de Berlim, publica O colapso da modernizaçom. O socialismo da URSS nom seria para ele o oposto ao capitalismo, senom duas formas distintas (a primeira desde o Estado e muito mais concentrada no tempo) de modernizaçom conforme as categorias da sociedade da mercadoria, prevendo já a atual crise.

Kurz, partindo de aquela aseveraçom de Marcuse, conforme “estruturalmente, o proletariado é intrínseco ao capitalismo e nom a encarnaçom da sua negaçom”, realiza umha forte crítica do conceito da luita de classes, negando que seja possível desfazer-se do capitalismo através da mesma, sem criar espaços de reproduçom social à margem da sociedade da mercadoria, como encetaram certas experiências sindicais, esquecidas ou denigradas nos anos de opulência após a II Guerra Mundial.

No prático, à crítica radical da sociedade da mercadoria –e da esquerda que se movia nos mesmos parámetros que dizia combater– propunha o ensaio de novas formas de reproduçom social, que fossem impossíveis de recuperar polo Capital: experimentos do socialismo do s.XIX, crechés autogeridas, cooperativas de consumo, comedores populares, etc. Nos últimos anos amossou a sua preocupaçom porque a crítica do valor se tornasse umha ideologia mais, e umha teoria “truncada como ideología de legitimaçom de umha nova pequeño-burguesia digital” que pensa possível esquivar o conflito.

A relaçom com a Galiza

Nos primeiros anos da passada década Kurz começava a ser lido no independentismo galego através das traduçons brasileiras. A crítica das categorias da modernizaçom, a crise da política como correlato da crise económica da desvalorizaçom do valor, ou a aposta no que ele chama desvinculaçom, nom como a búsqueda da salvaçom individual, senom através da criaçom de novas formas de reproduçom social cada vez mais abrangentes; fôrom ideias que vinham como umha luva à mudança de paradigma que estava a experimentar o independentismo revolucionário, que aginha o tomou como um teórico de referencia –seguramente com “Antieconomia e antipolítica. Sobre a reformulaçom da emancipaçom social após o fim do “marxismo””como texto mais lido–, embora sem devoçons religiosas nem dogmatismos. Certamente, havia muitos pontos em Kurz que nom casavam com a tradiçom do arredismo galego: a sua militancia apenas a nível teórico –embora muito crítico com o inteletualismo–, ou umha injustificável defesa de Israel, como a toda a extrema esquerda alemá afetada dum irracional complexo de culpa; o qual nom deve ser impedimento para que umha leitura crítica toma dele quanto de aproveitável tem, que é muito.

Vaia, desde aqui, o nosso recordo.

 

Contactar con La Haine

 

Este sitio web utiliza 'cookies'. Si continúas navegando estás dando tu consentimiento para la aceptación de las mencionadas 'cookies' y la aceptación de nuestra política de 'cookies'.
o

La Haine - Proyecto de desobediencia informativa, acción directa y revolución social

::  [ Acerca de La Haine ]    [ Nota legal ]    Creative Commons License ::

Principal